quarta-feira, 29 de maio de 2013

Não deis brecha ao diabo

(Ef 4.27)

Introdução:
Na natureza existem alguns bichinhos que aparentemente são inofensivos, no entanto, se dermos qualquer tipo de brechas, esses supostos bichinhos se proliferam tornando-se pragas monstruosas e devastadoras capazes de provocar danos irreparáveis e irreversíveis.
Precisamos dedetizar as pragas por questão de sobrevivência, caso contrário, as mesmas exterminarão a nossas vidas. Vejamos:
• Se dermos brecha às traças elas arruinarão nossas vestimentas;
• Se dermos brecha aos gafanhotos eles devastarão o nossos jardins;
• Se dermos brecha aos cupins eles destruirão nossas casas.
O diabo age semelhante a tais bichinhos e por meio de sua sagaz sutileza ele procura espaços em nossas vidas e a partir de pequenas e imperceptíveis brechas encontrada, ele torna-se capaz de nos destruir completamente. Portanto, não podemos desconsiderar o fato de que pequenas brechas podem acarretar em apavorantes problemas. Vejamos:
• Pequenas brechas nas represas provocam horríveis enchentes;
• Pequenas brechas nas encostas provocam terríveis desmoronamentos;
• Pequenas brechas nas embarcações provocam trágicos naufrágios.
Tema:
NÃO DEIS BRECHA AO DIABO
O que devemos fazer para não darmos brecha ao diabo?
I. Nunca ignore a sua existência:
a. Devemos ser sóbrios e vigilantes. (I Pe 5.8).
b. Não devemos ignorar os seus ardis. (II Co 2.11).
II. Nunca subestime a sua influencia:
a. Ele é capaz de se transformar em anjo de luz (II Co 11.14);
b. Ele é o deus deste século e o dominador deste mundo tenebroso (II Co 4.4; Ef 6.12).
III. Nunca ceda legalidade as suas tentações:
a. Resistir ao Diabo até que ele fuja de nossa presença: (Tg 4.7);
b. Reviste-se sempre da armadura de Deus: (Ef 6.10,11).
Conclusão:
Infelizmente o diabo vem arruinando algumas vidas por conta de tais legalidades, ou seja, brechas abertas que precisam urgentemente ser reparadas, antes que sejam tarde demais, por essa mesma razão devemos nos posicionar como verdadeiros reparadores de brechas.
“…E será chamado reparador de brechas…”. (Is. 58.12).

Sidney Osvaldo ferreira

terça-feira, 28 de maio de 2013

Neemias, um Líder Otimista!

“E enviei-lhes mensageiros a dizer: Faço uma grande obra, de modo que não poderei descer;
por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse, e fosse ter convosco? (Neemias. 6:3)”.

Neste estudo o Senhor nos ensinará a lidar com comentários que tentam destruir os nossos sonhos. Mas, Quando nós sonhamos Deus se alegra conosco. Essa determinação em alegrar o coração de Deus é que não nos deixa desistir de continuar vivendo, construindo e conduzindo as nossas vidas em vitória por Cristo Jesus.
Nessa construção de vida, precisamos de fé. A fé que vence o mundo, que vence barreiras, que vence os inimigos de sonhos. Quanto mais fé, mais perseverança e menos pessimismo. Essa é uma força que vem de dentro de nós. Sem ela não sonharíamos mais. Sem a fé não seríamos nem filhos de Deus. Não sonharíamos com o reino de Deus na terra, nem sonharíamos com o céu.
Mas, nossos sonhos são alimentados pela nossa fé. E é assim que agradamos a Deus.
Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Sem fé ninguém nada realiza. Nós poderemos ter uma excelente equipe, uma grande igreja, os melhores músicos e instrumentistas, um grande ministério, a maior reunião da cidade, etc… Contudo se não tivermos fé como agradaremos a Deus? O que realizaremos com tudo isso?
Os nobres da Escócia, antes de sua independência, não sonhavam mais com a sua liberdade. Havia um povo vilipendiado pelos ingleses durante 10 décadas de invasão, mas era só um aglomerado de gente que não sonhava, não ousava, não realizava. Não apostavam sua fé em nada. Nem em Deus.
A Escócia viveu refém da Inglaterra por nada mais que 100 anos! durante muito tempo a esperança não havia mais ali.
A esperança adiada desfalece o coração,
mas o desejo atendido é árvore de vida. (Pv. 13:12)
Alguns cristãos costumam ser assim ao abandonar seus sonhos, planos e projetos, tão logo recebem as primeiras resistências e a falta de apoio seja material, emocional ou até mesmo espiritual, passando a viver como desistentes e frustradas pelo resto da vida.
Quantas pessoas abandonam suas faculdades, pós-graduação, mestrados, cursinhos de inglês, informática, música etc?
Quantos livros nós começamos a ler e nunca mais terminaremos de lê-lo?
Muitas pessoas nem sonham em construir algo. Outras começam a construir com os primeiros tijolos e nunca mais os embuçam e suas casas nem chegam a ser pintadas. Sabe qual é o problema? Desistência. Falta de fé. Acham que não dá mais. Chega. Não preciso mais! (Que pena)!!!!
Já pensaram se Noé tivesse desistido de construir a arca?
Se Davi tivesse desistido de confrontar Golias?
Se Jesus tivesse desistido de morrer por nós na cruz?
E, se Neemias tivesse desistido de reconstruir o muro assim que recebeu a primeira carta de intimidação?
No início do capítulo de Neemias podemos perceber que Tobias e Sambalá apenas tinham ouvido falar que Neemias estava construindo o muro de Jerusalém e por cinco vezes se revoltaram tentando convencê-lo a desistir daquela construção.
Neemias, porém concentrado naquela obra, respondia sempre da mesma forma: Diga-lhes que não tenho tempo para as suas fofocas e ameças.
Disse Neemias:images (23)
“Estou fazendo uma grande obra de modo que não poderei descer!!” (Neemias. 6:3)
Devemos ficar atentos para as estratégias do inimigo que lança mão de subversões e outros métodos para acabar com os nossos sonhos.
Na quinta vez que Sambalá enviou mensageiros a Neemias, havia um desespero apelativo: a carta continha boatos de que Neemias estava querendo “aparecer” reconstruindo o muro de Jerusalém e convocando profetas para auxilia-lo, etc…
Ora a carta continha subversão, calúnia, e ignorância desde o princípio. Os falsos boatos tinham o intuito de voltar o povo contra Neemias, afim de desmotivá-lo de uma vez por todas.
Neemias, porém, não desistiu daquela obra! Ele estava determinado a obedecer ao comando de Deus até o fim. Ainda que os gentios e os nobres houvessem realizado campanhas “do contra”, o Senhor foi fiel a Neemias.
Finalmente o muro foi concluído! Não havia nenhuma brecha
No verso 16, desse capítulo, lemos que todos os inimigos temeram, todos decaíram nos seus próprios conceitos; porque reconheceram que por intervenção de nosso Deus é que fizemos esta obra!
Se você está pensando que os sonhos de Neemias acabaram por aqui, sinto muito, mas você deverá ler o capítulo 7,8,9, 10, etc.. muitas realizações ainda virão: organização da cidade, do templo, dos cultos, dos louvores, escola de líderes, festas dos tabernáculos, adoração etc. Faça uma boa leitura…
Temos muita coisa a aprender com Neemias.
Parabéns por terem chegado até o final deste pequeno estudo. Foram determinados!
 “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.” (Salmos 37:4)

Claudio Santos

domingo, 26 de maio de 2013

O toque da fé

Referência: Marcos 5.24-34
INTRODUÇÃO
Jesus foi expulso de Gadara, mas foi calorosamente recebido por uma multidão do outro lado do mar, em Cafarnaum. A multidão o comprimia, mas apenas duas pessoas de destacam nesse relato entrelaçado: Jairo e a mulher hemorrágica. Warren Wiersbe diz que esses dois personagens ensinam-nos alguns contrastes:
1) Jairo era um líder da sinagoga; ela uma mulher anônima;
2) Jairo era um líder religioso; ela era excluída da comunidade religiosa;
3) Jairo era rico; ela perdera todos os seus bens em vão buscando saúde;
4) Jairo teve a alegria de conviver 12 anos com sua filhinha que agora está à morte; ela sofre há 12 anos uma doença que a impede de ser mãe;
5) Jairo faz um pedido público a Jesus; ela aproxima-se de Jesus com um toque silencioso e anônimo;
6) Jesus atende a ambos, mas a atende primeiro.
A mulher hemorrágica ensina-nos sobre as marcas de uma fé salvadora: 1) Uma fé nascida do desengano (v. 26); 2) uma fé reflexiva (v. 28); 3) uma fé resoluta (v. 27); 4) uma fé que estabelece contato com Cristo (v. 27); 5) uma fé sincera (v. 33); 6) uma fé confessada em público (v. 33) e 7) uma fé recompensada (v. 34).
William Hendriksen comentando esse episódio, fala sobre três características da fé dessa mulher: fé escondida, fé recompensada e fé revelada.
I. O TOQUE DA FÉ COMEÇA COM A CONSCIENCIA DE UMA GRANDE NECESSIDADE – v. 25
1. Um sofrimento prolongado – v. 25
Aquela mulher hemorrágica buscou a cura durante doze anos. Foi um tempo de busca e de esperança frustrada. Foram doze anos de enfraquecimento constante; anos de sombras espessas da alma, de lágrimas copiosas, de noites indormidas, de madrugadas insones, de sofrimento sem trégua. Talvez você também esteja sofrendo há muito tempo apesar de ter buscado solução em todos os caminhos. A Bíblia diz que a esperança que adia adoece o coração (Pv 13.12).
2. Um sofrimento que gera desesperança – v. 26
O Talmud dava onze formas de cura para a hemorragia. Ela buscou todas. Ela procurou todos os médicos. Aquela mulher gastou tudo que tinha com vários médicos. Era uma mulher batalhadora e incansável na busca da solução para sua vida. Ela não era passiva nem omissa. Ela não ficou amuada num canto reclamando da vida, antes correu atrás da solução. Ela bateu em várias portas, buscando uma saída para o seu problema. Mas, apesar de todos os seus esforços, perdeu não só o seu dinheiro, mas também progressivamente a sua saúde. Ela ficava cada vez pior.
A sua doença era crônica e grave. A medicina não tinha resposta para o seu caso. Os médicos não puderam ajudá-la.
3. Um sofrimento que destruía os seus sonhos – v. 25
Aquela mulher perdia sangue diariamente. Ela tinha uma anemia profunda e uma fraqueza constante. O sangue é símbolo da vida. Seu diagnóstico era sombrio; ela parecia morrer pouco a pouco; a vida parecia esvair-se aos borbotões do seu corpo. Ela não apenas estava perdendo a vida, como não podia gerar vida. Seu ventre em vez de ser um canteiro de vida, tinha se tornado o deserto da morte. Essa mulher havia chegado à “estação desesperança”. Foi então que ouviu falar de Jesus.
4. Um sofrimento que produzia terríveis segregações – v. 25
A mulher hemorrágica enfrentou pelo menos três tipos de segregação, por causa da sua enfermidade:
Em primeiro lugar, a segregação conjugal. Segundo a lei judaica, a mulher com fluxo de sangue não podia relacionar-se com o marido. Se ela era solteira não podia casar-se; se era casada, não podia relacionar-se com o marido e possivelmente seu casamento já estava abalado. A mulher menstruada era niddah (impura) e proibida de ter relações sexuais. Os rabinos ensinavam que se os maridos teimassem em relacionar-se com elas nesse período, a maldição viria sobre os filhos. O rabino Yoshaayah ensinou que um homem devia se afastar de sua mulher já quando ela estivesse próxima da menstruação. O rabino Shimeon bar Yohai, ao comentar Levítico 15.31, afirmou que “ao homem que não se separa da sua mulher perto da menstruação dela, mesmo que tenha filhos como os filhos de Arão, estes morrerão”. Mulheres menstruadas transferiam sua impureza a tudo que tocavam inclusive utensílios domésticos e seus conteúdos. Toda cama sobre que se deitar durante os dias do seu fluxo e toda coisa sobre que se assentar será imunda. Os rabinos decretavam que até o cadáver de uma mulher que morreu durante sua menstruação devia passar por uma purificação especial com água.
Em segundo lugar, a segregação social. Uma mulher com hemorragia não podia relacionar-se com as pessoas; antes, devia viver confinada, na caverna da solidão, no isolamento, sob a triste realidade do ostracismo social. Essa mulher era tratada quase como se estivesse com lepra. Por doze anos ela não pudera abraçar nenhum familiar sem causar-lhe dano. Doze anos sem ir ao culto. Ela vivia possuída de vergonha, com a auto-estima amassada. Por isso, chegou anonimamente para tocar em Jesus, como medo de ser rejeitada, pois quem a tocasse ficaria cerimonialmente impuro.
Em terceiro lugar, a segregação religiosa. Uma mulher com fluxo de sangue não podia entrar no templo nem na sinagoga para adorar. Ela estava proibida de participar do culto público, visto que estava em constante condição de impureza ritual (Lv 15.25-33). Era considerada impura, portanto, impedida de participar das festas e dos cultos.
II. O TOQUE DA FÉ ACONTECE QUANDO VOLTAMO-NOS DA NOSSA DESILUSÃO E BUSCAMOS A JESUS – v. 27
1. Os nossos problemas não apenas nos afligem, eles também nos arrastam aos pés de Jesus – v. 27
A mulher hemorrágica depois de procurar vários médicos, sem encontrar solução para o seu problema, buscou a Jesus. Ela ouvira falar de Jesus e das maravilhas que ele fazia (5.27). A fé vem pelo ouvir (Rm 10.17). O que ela ouviu produziu tal espírito de fé que dizia para si: “Se tocar tão somente em seu manto ficarei curada” (5.28). Ele não somente disse que seria curada se tocasse nas vestes de Jesus, mas de fato ela tocou e foi curada. Por providência divina, às vezes, somos levados a Cristo por causa de um sofrimento, de uma enfermidade, de um casamento rompido, de uma dor que nos aflige. Essa mulher rompeu todas as barreiras e foi tocar nas vestes de Jesus.
2. Quando os nossos problemas parecem insolúveis, ainda podemos ter esperança – v. 27, 28
A mulher ouviu sobre a fama de Jesus (5.27). Quando tudo parece estar perdido, ainda há uma saída, com Cristo. Ela ouviu sobre a fama de Jesus: que ele dava vista aos cegos e purificava os leprosos; que libertava os cativos e levantava os coxos; que ressuscitava os mortos e devolvia o sentido da vida aos pecadores que se arrependiam. Então, ela foi a Jesus e foi curada.
Jesus estava atendendo a uma urgente necessidade: indo à casa de Jairo, um homem importante, para curar a sua filha que estava à morte; mas Jesus pára para cuidar dessa mulher. Ela pode não ter valor nem prioridade para a multidão, mas para Jesus ela tem todo o valor do mundo.
O jornal The American em abril de 1912 comentou o naufrágio do Titanic e noticiou em uma página a morte de John Jacob Astor e mais de 1.800 pessoas. Só esse homem tinha valor para o articulista do jornal. Para Jesus não é assim.
3. Quando nós tocamos as vestes de Jesus com fé, podemos ter a certeza da cura – v. 28, 29
No meio da multidão que comprimia a Jesus, a mulher tocou em suas vestes e ele perguntou: “Quem me tocou nas vestes?” (5.30). O que houve de tão especial no toque dessa mulher? Larry Richards destaca quatro características do toque dessa mulher nas vestes de Jesus:
Em primeiro lugar, foi um toque intencional. Ela não tocou em Jesus acidentalmente; ela pretendia tocá-lo.
Em segundo lugar, foi um toque proposital. Ela deseja ser curada do seu mal que a atormentava há doze anos.
Em terceiro lugar, foi um toque confiante. Ela foi movida pela fé, pois acreditava que Jesus tinha poder para restaurar sua saúde.
Em quarto lugar, foi um toque eficaz. Quando ela tocou em Jesus, ficou imediatamente livre do seu mal. Sua cura com completa e cabal. Ela recebeu três curas distintas: A primeira cura foi física. O fluxo de sangue foi estancado. A segunda cura foi emocional. Jesus não a desprezou, mas a chamou de filha (5.34) e lhe disse: “Tem bom ânimo” (Mt 9.22). A terceira cura foi espiritual. Jesus lhe disse: “A tua fé te salvou” (5.34).
III. O TOQUE DA FÉ ACONTECE QUANDO O CONTATO PESSOAL COM JESUS É O NOSSO MAIOR OBJETIVO DE VIDA – v. 27-34
1. Muitos comprimem a Cristo, mas poucos o tocam pela fé – v. 27, 34
Jesus frequentemente estava no meio da multidão. Ele sempre a atraiu, não obstante a maioria das pessoas que o buscava não tinha um contato pessoal com ele. Muitos seguem a Jesus por curiosidade, mas não auferem nenhum benefício dele. Jesus conhece aqueles que o tocam com fé no meio da multidão.
Agostinho comentando essa passagem disse que uma multidão o aperta, mas só essa mulher o toca. Williams Lane disse corretamente: “foi o alcance de sua fé, e não o toque de sua mão, que lhe assegurou a cura que buscava”. Não foi o toque da superstição, mas da fé. Pela fé nós cremos, vivemos, permanecemos firmes, andamos e vencemos. Pela fé nós temos paz e entramos no descanso de Deus. A multidão vem e a multidão vai, mas só essa mulher o toca e só ela recebe a cura. Aos domingos, a multidão vem à igreja. Aqui e ali alguém é encontrado chorando por seus pecados, regozijando-se em Cristo pela salvação e então Jesus pergunta: quem me tocou?
Muitas pessoas vêm à igreja porque estão acostumadas a vir. Acham errado deixar de vir. Mas estar em contato real com Jesus não é o que esperam acontecer no culto. Elas continuam vindo e vindo até Jesus voltar, mas só despertarão tarde demais, quando já estiverem diante do tribunal de Deus para darem contas da sua vida.
Alguns vêm para orar, mas não tocam em Jesus pela fé. Outros se assentam ao redor da mesa do Senhor, mas não têm comunhão com Cristo. São batizados, mas não com o batismo do Espírito Santo. Comem o pão e bebem o vinho, mas não se alimentam de Cristo. Cantam, oram, ajoelham, ouvem, mas isso é tudo; eles não tocam o Senhor nem vão para casa em paz.
Oh, possivelmente esse seja o maior número na igreja: é como a multidão que comprime Jesus, mas não o toca pela fé. Vêm à igreja, mas não se encontram com Jesus. Não abra mão de tocar hoje nas vestes de Jesus. Não se contente apenas em orar mecanicamente, toque em Jesus pela fé. Não se contente em apenas ouvir um sermão, toque hoje nas vestes de Jesus. A mulher hemorrágica não estava apenas no meio da multidão que apertava Jesus, ela tocou em Jesus pela fé e foi curada! Seu toque pode ser descrito de quatro formas:
Em primeiro lugar, ela tocou em Jesus sob grandes dificuldades. Havia uma grande multidão embaraçando seu caminho. Ela estava no meio da multidão apesar de estar doente, fraca, impura e rejeitada.
Em segundo lugar, ela tocou em Jesus secretamente. Vá a Jesus, mesmo que a multidão não o perceba ou que sua família não saiba, pois ele pode libertar você do seu mal.
Em terceiro lugar, ela tocou em Jesus sob um senso de indignidade. Por ser cerimonialmente impura, estava coberta de vergonha e medo. Conforme o ensinamento judaico, o toque dessa mulher deveria ter tornado Jesus impuro, mas foi Jesus quem a purificou.
Em quarto lugar, ela tocou em Jesus humildemente. Ela o tocou por trás, silenciosamente. Ela prostrou-se trêmula aos seus pés. Quando nos humilhamos, Deus nos exalta. Ela não tocou Pedro, João ou Tiago, mas Jesus e foi liberta do seu mal.
2. Aqueles que tocam a Jesus pela fé são totalmente curados – 34
Dois fatos podem ser destacados sobre a cura dessa mulher:
Em primeiro lugar, sua cura foi imediata. A cura que ela procurou em vão durante doze anos foi realizada num momento. A cura que os médicos não puderam lhe dar, foi lhe concedida instantaneamente. Muitas pessoas por vários anos correm de lugar em lugar, andam de igreja em igreja, buscando paz com Deus, mas ficam ainda mais desesperadas. Porém, em Cristo há cura imediata para todas as nossas enfermidades físicas, emocionais e espirituais. Foi assim que Jesus curou aquela mulher.
Em segundo lugar, sua cura foi completa. Embora seu caso fosse crônico, ela foi completamente curada. Há cura completa para o maior pecador. Ainda que uma pessoa seja rejeitada ou esteja afundada no pântano do pecado, há perdão e cura para ela. Ainda que uma pessoa esteja possessa de demônios, há cura para ela. Ainda que sua mente esteja cheia de dúvidas, elas poderão ser dissipadas quando você tocar em Jesus. Ainda que você tenha caído depois da cura, há restauração para você se você tocar em Jesus. A fonte ainda está aberta.
Larry Richards diz que o toque de Jesus salvou essa mulher fisicamente ao restaurar sua saúde; salvou-a socialmente ao restaurar sua convivência com outras pessoas na comunidade; e salvou-a espiritualmente, capacitando-a a participar novamente da adoração a Deus no templo e das festas religiosas de Israel.
Hoje você pode tocar nas vestes de Jesus e ver estancada sua hemorragia existencial. Toque nas vestes de Jesus, pois ele pode pôr um fim na sua angústia. Você pode cantar:
Hoje eu vou tocar nas vestes de Jesus,
Hoje eu vou tocar nas vestes de Jesus,
Eu sei que ele vai me curar,
Eu sei que ele vai me libertar,
Eu sei, eu sei que ele pode me curar.
3. Aqueles que tocam em Jesus são conhecidos por ele – v. 32, 33
Jesus perguntou: “Quem me tocou nas vestes?” (5.30). Você pode ser uma pessoa estranha para a multidão, mas não para Jesus. Seu nome pode ser apenas “alguém” e Jesus saberá quem é você. Se você o tocar haverá duas pessoas que saberão: você e Jesus. Se você tocar em Jesus agora, talvez seus vizinhos possam não ouvir isto, mas isto será registrado nas cortes do céu. Todos os sinos da Nova Jerusalém irão tocar e todos os anjos irão se regozijar (Lc 15.10) tão logo eles souberem que você nasceu de novo.
O evangelista Lucas registra: “Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder” (Lc 8.46). Talvez muitos não saberão o seu nome, mas ele estará registrado no Livro da Vida. O sangue de Cristo estará sobre você. O Espírito de Deus estará em você. A Bíblia diz que Deus conhece os que são seus (2 Tm 2.19). Se você tocar em Jesus, o poder da cura tocará em você e você será conhecido no céu.
4. Aqueles que tocam em Jesus devem fazer isto conhecido aos outros – v. 33
Você precisa contar aos outros tudo o que Cristo fez por você. Jesus quer que você torne conhecido aos outros o que ele fez em você e por você. Não se esgueire no meio da multidão secretamente. Não cale a sua voz. Não se acovarde depois de ter sido curado. Talvez você já conheça o Senhor há anos e ainda não o fez conhecido aos outros. Rompa o silêncio e testemunhe! Vá e conte ao mundo o que Jesus fez por você. Saia do anonimato! William Hendriksen diz que quando as bênçãos descem dos céus, elas devem retornar em forma de ações de graça por parte dos que foram abençoados.
CONCLUSÃO
Jesus disse para mulher: “Vai-te em paz, e fica livre do teu mal” (5.34). A bênção com que Jesus despediu a mulher é uma promessa para você agora. Talvez, você iniciou essa leitura com medo, angústia e uma hemorragia existencial. Mas, agora, você pode voltar para casa livre, curado, perdoado, salvo. Vai em paz e fica livre do seu mal!
Rev. Hernandes Dias Lopes.

sábado, 25 de maio de 2013

Quanto vale uma vida

Referência: Marcos 5.1-20
INTRODUÇÃO
1. Quanto vale uma vida para Jesus
Jesus fez um alto investimento na vida desse homem gadareno. Ele enfrentou a fúria do mar e depois a fúria desse homem possesso. O escritor desse Evangelho vai de um mar agitado para um homem agitado. Humanamente falando, ambos eram indomáveis, mas Jesus os subjugou.
Era noite, depois de uma tempestade, num lugar deserto, íngreme, cheio de cavernas, um cemitério, onde havia corpos expostos, alguns deles em decomposição. O lugar em si já metia medo nos mais corajosos. Desse lugar sombrio, sai um homem louco, desvairado, possesso, nu, ferindo-se com pedras, um pária, um aborto vivo, uma escória da sociedade.
Todos já haviam desistido dele, menos Jesus. Aquela viagem foi proposital. Jesus vai a uma terra gentílica, depois de um dia exaustivo de trabalho, depois de uma terrível tempestade, para salvar um homem possesso. Essa é a expressão do infinito amor de Jesus.
2. Quanto vale uma vida para Satanás
Satanás roubou tudo de precioso que aquele homem possuíra: sua família, liberdade, saúde física e mental, dignidade, paz e decência.
Havia dentro dele uma legião de demônios (5.9). Legião era uma corporação de seis mil soldados romanos. Nada infundia tanto medo e terror como uma legião romana. Era um exército de invasão, crueldade e destruição. A legião romana era composta de infantaria e cavalaria. Numa legião havia flecheiros, estrategistas, combatentes, incendiários, e aqueles que lutavam com espadas. Por onde uma legião passava, deixava um rastro de destruição e morte. Uma legião romana era irresistível. Aonde ela chegava, as cidades eram assaltadas, dominadas e seus habitantes arrastados como súditos e escravos. Uma legião era a mais poderosa máquina de guerra conhecida nos tempos antigos. As legiões romanas formavam o braço forte com o qual Roma havia subjugado o mundo. Assim era o poder diabólico que dominava a esse pobre ser humano.
Havia um poder de destruição descomunal dentro daquele homem, transformando sua vida num verdadeiro inferno.
Warren Wiersbe diz que nós podemos ver neste texto três forças trabalhando: Satanás, a sociedade e Jesus.
I. O QUE SATANÁS PODE FAZER PELAS PESSOAS
1. Ele domina as pessoas, através da possessão – (5.2,9)
O gadareno estava possuído por espíritos imundos. Havia uma legião de demônios dentro dele. A possessão demoníaca não é um mito, mas uma triste realidade. A possessão não é apenas uma doença mental ou epilepsia. Ainda hoje milhares de pessoas vivem no cabresto de Satanás. Quais são as características de uma pessoa endemoninhada:
Em primeiro lugar, uma pessoa possessa tem dentro de si uma entidade maligna (5.2,9). Esse homem não estava no controle de si mesmo. Suas palavras e suas atitudes eram determinadas pelos espíritos imundos que estavam dentro dele. Ele era um aparelho, um cavalo dos demônios, um joguete nas mãos de espíritos ladrões e assassinos.
Em segundo lugar, uma pessoa possessa manifesta uma força sobre-humana (5.3,4). As pessoas não podiam detê-lo nem as cadeias subjugá-lo. A força destruidora com que despedaçava as correntes não procedia dele, mas dos espíritos malignos que nele moravam. Exemplo: Salatiel e a jovem de Tanabi.
Em terceiro lugar, uma pessoa possessa tem freqüentes acessos de raiva O evangelista Mateus, narrando esse episódio, diz que os endemoninhados estavam a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho (Mt 8.28). Normalmente uma pessoa possessa revela uma fisionomia carregada de ódio e olhos fuzilantes. Exemplo: Paulo na Igreja Assembléia de Deus de Arabiri.
Em quarto lugar, uma pessoa possessa perde o amor próprio (5.3,5). Esse homem andava nu e feria-se com pedras. Em vez de proteger-se, feria-se a si mesmo. Ele era o seu próprio inimigo. O ser maligno que estava dentro dele empurrou-o para as cavernas da morte. A legião de demônios que estava nele tirou dele o pudor e queria destruí-lo e matá-lo. O diabo veio para roubar, matar e destruir. Ele é ladrão e assassino. Há muitas pessoas que hoje ceifam a própria vida, quando esses espíritos imundos entram nelas. Foi assim com Judas, Satanás entrou nele e o levou ao suicídio.
Em quinto lugar, uma pessoa possessa pode revelar conhecimento sobrenatural por clarividência e adivinhação (5.6,7). Logo que Jesus desembarcou em Gadara, esse homem possesso correu, cheio de medo, e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo. Ele sabia quem era Jesus. Sabia que Jesus é o Filho do Deus Altíssimo, que tem todo poder para atormentar os demônios e mandá-los para o abismo. Os demônios crêem na divindade de Cristo, na sua total autoridade. Eles oram e crêem nas penalidades eternas. A fé dos demônios é mais ortodoxa do que a fé dos teólogos liberais. Exemplo: Antonia: “O pai dela vai chegar e não vai vê-la. O velho que há doze anos não vinha visitar a família chegou, cumprimentou a todos e não viu a filha”.
2. Ele arrasta as pessoas para a impureza (5.2,3a)
Gadara era uma terra gentílica, onde as pessoas lidavam com animais imundos. O espírito que estava naquele homem era um espírito imundo. Por isso, levou esse homem para um lugar impuro, o cemitério, para viver no meio dos sepulcros. A impureza desse homem era tríplice: os judeus consideravam a terra dos pagãos impura, em seguida o lugar dos túmulos e, por fim, a possessão. O efeito era uma separação de Deus sem esperança.
Os espíritos malignos levam as pessoas a se envolverem com tudo o que é imundo. Há pessoas chafurdando-se na lama hoje. Quem pratica o pecado é escravo do pecado. Quem vive na prática do pecado é filho do diabo. Há pessoas que hoje entram dentro dos cemitérios e desenterram defuntos para fazerem despacho aos demônios.
A promiscuidade está atingindo patamares insuportáveis. A TV Globo encerrou a sua decantada novela América com dois homens beijando na boca. A Inglaterra legitima o casamento de homossexuais. A pornografia tornou-se uma indústria poderosa. A promiscuidade dos valores da geração contemporânea faz de Sodoma e Gomorra cidades muito puritanas.
3. Ele torna as pessoas violentas (5.3,4)
O endemoninhado constituiu-se um problema para a família e para a sociedade. O amor familiar e a repressão da lei não puderam domesticar aquela fera indomável. Ele era como um animal selvagem. Resistia a qualquer tentativa de controle externo. Os vivos não o suportaram mais e o expulsaram. Ele foi morar com os mortos. Estes não lhe faziam nenhum mal, mas também não o protegiam de si mesmo. Ele agora estava nu entre os demônios.
Há um espírito que atua nos filhos da desobediência e torna as pessoas furiosas, violentas e indomáveis nesses dias. Há seres humanos que se transformam em monstros celerados, em feras indomáveis. Nem o amor da família nem o rigor da lei têm abrandado a avalanche de crimes violentos em nossos dias. São terroristas que enchem o corpo de bomba e explodem espalhando morte. São os vândalos que incendeiam ônibus nas ruas. São pistoleiros de aluguel que derramam sangue por dinheiro. São traficantes que matam e morrem para alimentar o seu vício execrando.
4. Ele atormenta as pessoas (5.5)
O gadareno estava perturbado mentalmente. Ele andava sempre, de noite e de dia gritando por entre os sepulcros. Não havia descanso para sua mente nem para seu corpo.
Além da perturbação mental, ele golpeava-se com pedras. Vivia nu e ensangüentado, correndo pelos montes escarpados, esgueirando-se como um espectro de horror, no meio de cavernas e sepulcros. Seu corpo emaciado refletia o estado deprimente a que um ser humano pode chegar quando está sob o domínio de Satanás.
Há muitas pessoas hoje atormentadas, inquietas e desassossegadas, vivendo nas regiões sombrias da morte, sem família, sem liberdade, sem dignidade, sem amor próprio, ferindo-se a si mesmas e espalhando terror aos outros.
II. O QUE A SOCIEDADE PODE FAZER PELAS PESSOAS
1. A sociedade afastou esse homem do convívio social (5.3,4)
O máximo que a sociedade pôde fazer por esse homem, foi tirá-lo de circulação. Arrancaram-no da família e da cidade. Desistiram do seu caso e consideraram-no uma causa perdida. Consideraram-no um caso irrecuperável e descartaram-no como um aborto asqueroso. O máximo que a sociedade pode fazer por pessoas problemáticas é isolá-las, colocá-las sob custódia ou jogá-las numa prisão (Lc 8.29). As prisões não libertam as pessoas por dentro nem as transformam; ao contrário, tornam-nas ainda mais violentas.
Ainda hoje, é mais fácil e mais cômodo lançar na caverna da morte, no presídio e no desprezo aqueles que caem nas garras do pecado e do diabo.
2. A sociedade acorrentou esse homem (5.3,4)
A prisão foi o melhor remédio que encontraram para deter esse homem. Colocaram cadeias em suas mãos e em seus pés. Mas a prisão não pôde detê-lo. Ele arrebentou as cadeias e continuou espalhando terror por onde andava. Embora, o sistema carcerário seja um fato necessário, mas não é a solução do problema. O índice de reincidência no crime daqueles que são apanhados pela lei e lançados num cárcere é de mais de 70%.
A sociedade não tem poder para resolver o problema do pecado nem libertar as pessoas das garras de Satanás. Somente o evangelho transforma. Somente Jesus liberta. Não há esperança para o homem, a família e a sociedade à parte de Jesus.
3. A sociedade deu mais valor aos porcos que a esse homem
A sociedade de Gadara não apenas rejeitou esse homem na sua desventura, mas também não valorizou a sua cura, nem sua salvação. Eles expulsaram Jesus da sua terra e amaram mais os porcos do que a Deus e a esse homem. Os porcos valiam mais que uma vida.
III. O QUE JESUS FAZ PELAS PESSOAS
1. Jesus libertou esse homem da escravidão dos demônios (5.6-15)
Jesus se manifestou para destruir as obras do diabo (1 Jo 3.8). Diante dele todo joelho precisa se dobrar; até os demônios estão debaixo da autoridade de Jesus. Mediante a autoridade da palavra de Jesus a legião de demônios bateu em retirado e o homem escravizado ficou livre.
Cristo é o atormentador dos demônios e o libertador dos homens. Aonde ele chega, os demônios tremem e os cativos são libertos. Satanás tentou matar Jesus na tempestade e agora tenta impedi-lo de entrar em Gadara. Ele está usando todas suas armas para parar Jesus a qualquer custo. Mas em vez de intimidar-se com a legião de demônios, Jesus é quem espalha terror no exército demoníaco.
2. Jesus devolveu a esse homem a dignidade da vida (5.15)
Três coisas nos chamam a atenção nessa libertação:
Em primeiro lugar, o homem estava assentado aos pés de Jesus (5.15; Lc 8.35). Aquele que vivia perturbado, correndo de dia e de noite, sem descanso para a mente e para o corpo, agora está quieto, sereno, assentado aos pés do Salvador. Jesus acalmou o vendaval do mar, e também o homem atormentado. Alguns estudiosos entendem que a tempestade que Jesus enfrentara para chegar em Gadara fora provocado por Satanás, visto que a mesma palavra que Jesus empregou para repreender o vento e o mar, empregou-a para repreender os espíritos imundos. Seria uma tentativa desesperada de Satanás de impedir Jesus de chegar nesse território pagão, onde ele mantinha tantas pessoas sob suas garras assassinas.
Em segundo lugar, o homem estava vestido (5.15). Esse homem havia perdido o pudor e a dignidade. Ele andava nu. Havia muito que não se vestia (Lc 8.27). Tinha perdido o respeito próprio e o respeito pelos outros. Estava à margem não só da lei, mas também da decência. Agora, que Jesus o transformou, o primeiro expediente é vestir-se, é cuidar do corpo, é apresentar-se com dignidade. A prova da conversão é a mudança. A conversão sempre toca nos pontos nevrálgicos. Zaqueu, o homem amante do dinheiro, ao ser convertido, resolveu dar metade dos bens aos pobres.
Em terceiro lugar, o homem estava em perfeito juízo (5.15). Jesus restituiu a esse homem sua sanidade mental. A diferença entre sanidade e santidade é apenas uma letra, a letra T, um símbolo da cruz de Cristo. Aonde Jesus chega, ele restaura a mente, o corpo, a alma. Esse homem não é mais violento. Ele não oferece mais nenhum perigo à família nem à sociedade. Não há outro pode transformar além do poder de Jesus. Só ele cura, só ele restaura, só ele salva. Ele continua transformando monstros em homens santos; escravos de Satanás em homens livres, abortos vivos da sociedade em vasos de honra.
3. Jesus dá a esse homem uma gloriosa missão (5.18-20)
Jesus envia esse homem como missionário para a sua casa, para ser uma testemunha na sua terra. Ele espalhava medo e pavor, agora, anuncia as boas novas de salvação. Antes era um problema para a família, agora, é uma bênção. Antes, era um mensageiro de morte, agora, um embaixador da vida.
Jesus revela a ele que o testemunho precisa começar em casa. O nosso primeiro campo missionário precisa ser o nosso lar. Sua família precisa ver a transformação que Deus operou na sua vida. O que Deus fez por nós precisa sr contado aos outros.
CONCLUSÃO
Este texto nos fala sobre três pedidos, três orações. As duas primeiras foram prontamente atendidas por Jesus, mas a última foi indeferida.
1. Jesus atendeu ao pedido dos demônios (5.10,12)
Os demônios pediram e pediram encarecidamente. Havia intensidade e urgência no pedido deles. Eles não queriam ser atormentados (5.7) nem enviados para o abismo (Lc 8.31) nem para fora do país (5.10), mas para a manada de porcos que pastava pelos montes (5.12). É intrigante que Jesus tenha atendido prontamente o pedido dos demônios e a manada de dois mil porcos precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram (5.13). Por que Jesus atendeu os demônios. Por quatro razões, pelo menos:
Em primeiro lugar, para mostrar o potencial destruidor que agia naquele homem. O gadareno não estava fingindo nem encenando. Seu problema não apenas uma doença mental. Não se transfere esquizofrenia para uma manada de porcos. Os demônios não são seres mitológicos nem a possessão demoníaca uma fantasia. O poder que estava agindo dentro daquele homem foi capaz de matar dois mil porcos.
Em segundo lugar, para revelar àquele homem que o poder que o oprimia tinha sido vencido. Assim como a ação do mal não é uma simulação, a libertação também não é apenas um efeito psicológico, mas um fato real, concreto, perceptível. A Bíblia diz: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.
Em terceiro lugar, para mostrar à população de Gadara que para Satanás um porco tem o mesmo valor que um homem. De fato Satanás tem transformado muitos homens em porcos. Jesus está alertando aquele povo sobre o perigo de ser um escravo do pecado e do diabo.
Em quarto lugar, para revelar a escala de valores dos gadarenos. Eles expulsaram Jesus, por causa dos porcos. Eles amavam mais os porcos do que a Deus e ao próximo. O dinheiro era o deus deles. William Barclay diz que os gadarenos ao expulsarem Jesus estavam dizendo: não perturbem nossa comodidade, preferimos que deixe as coisas como estão; não perturbem nossos bens; não perturbem nossa religião.
Em quinto lugar, para mostrar que os demônios estão debaixo da sua autoridade. Os demônios sabem que Jesus tem poder para expulsá-los e também para mandá-los para o abismo. Alguém mais poderoso do que Satanás havia chegado e os mesmos demônios que atormentavam o homem agora estão atormentados na presença de Jesus. Os demônios só podem ir para os porcos se Jesus o permitir. Eles estão debaixo do comando e autoridade de Jesus. Eles não são livres para agir, fora da autoridade suprema de Jesus.
2. Jesus atendeu ao pedido dos gadarenos (5.17)
Os gadarenos expulsaram Jesus da sua terra. Eles amavam mais os porcos e o dinheiro do que a Jesus. Essa é a terrível cegueira materialista, diz Ernesto Trenchard. Lucas registra: “Todo o povo da circunvizinhança dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles; pois estavam possuídos de grande medo. E Jesus, tomando de novo o barco, voltou” (Lc 8.37). Jesus não os constrangeu nem forçou sua permanência na terra deles. Sem qualquer questionamento ou palavra, entrou no barco e deixou a terra de Gadara.
Os gadarenos rejeitaram a Jesus, mas Jesus não desistiu deles. Eles expulsaram a Jesus, mas Jesus enviou para o meio deles um missionário. O Senhor não nos trata segundo os nossos pecados.
3. Jesus indeferiu o pedido do gadareno salvo (5.18-20)
O homem liberto, curado e salvo quer por gratidão seguir a Jesus, mas o Senhor não o permite. O mesmo Jesus que atendera a petição dos demônios e dos incrédulos, agora rejeita a petição do salvo. E por que:
Em primeiro lugar, a família precisa ser o nosso primeiro campo missionário. A família dele sabia como ninguém que havia acontecido, e agora, poderia testificar sua profunda mudança. Não estaremos credenciados a pregar para os de fora, se ainda não testemunhamos para os da nossa própria família. Esse homem torna-se uma luz no meio da escuridão. Ele prega não só para sua família, mas também para toda a região de Decápolis.
William Hendriksen diz que esta “Decápolis” era uma liga de dez cidades helênicas: Citópolis, Filadélfia, Gerasa, Pela Damasco, Kanata, Dion, Abila, Gadara e Hippo. Ele não apenas anuncia uma mensagem teórica, mas o que Jesus lhe fizera, a sua própria experiência. Ele era um retrato vivo do poder do evangelho, um verdadeiro monumento da graça.
Em segundo lugar, porque Jesus sabe o melhor lugar onde devemos estar. Devemos submeter nossas escolhas ao Senhor. Ele sabe o que é melhor para nós. O importante é estar no centro da sua vontade. Esse homem tornou-se um dos primeiros missionários entre os gentios. Jesus saiu, mas ele permaneceu dando um vivo e poderoso testemunho da graça e do poder de Jesus. Exemplo: Ashbell Green Simonton.
Rev. Hernandes Dias Lopes.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Surpreendidos pelas tempestades da vida

Referência: Marcos 4.35-41
INTRODUÇÃO
Deus é bom, sempre bom. Às vezes, porém, não conseguimos ver a bondade de Deus nas circunstâncias da vida, mas, mesmo assim, Deus continua sendo sempre bom. Havia um súdito que dizia sempre para o rei que Deus é bom. Um dia saíram para caçar e um animal feroz atacou o rei e ele perdeu o dedo mínimo. O súdito ainda lhe disse: Deus é bom. O rei mandou prendê-lo. Noutra caçada o rei foi capturado por índios antropófagos. Na hora do sacrifício o cacique percebeu que ele era imperfeito, porque lhe faltava um dedo. O rei foi solto e chegou para o súdito e disse-lhe: é verdade, Deus é bom. Mas por que então, eu lhe mandei para a prisão? O súdito, respondeu: porque se estivesse contigo eu seria sacrificado.
As tempestades da vida não anulam a bondade de Deus. Não haveria o arco-íris sem a tempestade, nem o dom das lágrimas sem a dor. Só conseguimos enxergar a majestade dos montes quando estamos no vale. Só enxergamos o brilho das estrelas quando a noite está trevosa É das profundezas da nossa angústia que nos erguemos para as maiores conquistas da vida.
Jesus passara todo o dia ensinando à beira-mar sobre o Reino de Deus. Ao final da tarde, ele deu uma ordem para os discípulos para entrarem no barco e passarem para a outra margem, para a região de Gadara, onde havia um homem possesso. Enquanto atravessam o mar, Jesus cansado da faina, dormiu e uma tempestade terrível os surpreendeu, enchendo dágua o barco. Os discípulos apavorados clamaram a Jesus. Ele repreendeu o vento, o mar e os discípulos e aqueles homens apavorados com a fúria dos ventos ficaram maravilhados diante do seu milagre.
William Hendriksen, analisando este texto, diz que podemos sintetizá-lo em seis pontos básicos: uma noite a bordo; uma tempestade furiosa; um clamor desesperado; um milagre impressionante; uma reprovação amorosa e um efeito profundo.
I. COMO SÃO AS TEMPESTADES DA VIDA
Aprendemos aqui algumas lições importantes:
Em primeiro lugar, as tempestades da vida são inesperadas. William Barclay diz que o Mar da Galiléia era famoso por suas tempestades. É um lago de águas doces, de 21 quilômetros de comprimento por 14 de largura, há 220 metros a baixo do nível do Mar Mediterrâneo e é cercado de montanhas por três lados, que têm até 300 metros de altura. Os ventos gelados do Monte Hermon (2.790m), coberto de neve durante todo o ano, algumas vezes, descem com fúria dessa região alcantilada e sopram com violência, encurralados pelos montes, caindo sobre o lago, encrespando as ondas e provocando terríveis tempestades. A palavra usada é seismós terremoto (Mt 24:7). As tempestades da vida são também inesperadas: é um acidente, uma enfermidade, uma crise no casamento, um desemprego. As tempestades não mandam telegrama. Elas chegam em nossa vida sem mandar recado e sem pedir licença. As tempestades, algumas vezes nos colhem de surpresa e nos deixam profundamente abalados. Como seguidores de Cristo devemos estar preparados para as tempestades que certamente virão. John Charles Ryle diz que os discípulos tinham passado o dia ouvindo o Mestre e fazendo sua obra, mas isso não os isentou da tempestade. Eles amavam a Jesus e tinham deixado tudo para segui-lo, mas isso não os poupou do mar revolto. As aflições e as tempestades da vida fazem parte da jornada de todo cristão.
Em segundo lugar, as tempestades da vida são perigosas. Mateus diz que o barco era varrido pelas ondas (Mt 8:24). Marcos diz que se levantou grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água (Mc 4:37). Lucas diz que sobreveio uma tempestade de vento no lago, correndo eles o perigo de soçobrar (Lc 8:23). As tempestades da vida também são ameaçadoras. Elas são perigosas. São verdadeiros abalos sísmicos e terremotos na nossa vida.
Eu morei nos Estados Unidos com minha família no ano 2000 e 2001. Estava no meu ano sabático, fazendo doutorado em ministério na área de pregação no Seminário Reformado de Jackson, Mississippi. Durante todo o tempo que lá vivemos, ficamos encantados com a pujança da nação e a segurança que seus cidadãos gozavam. Findo o nosso tempo na América, era hora de voltar ao Brasil. Nossas malas já estavam prontas. Nossas passagens já estavam marcadas para regressarmos ao Brasil no dia 12 de setembro de 2001. No dia 11 de setembro, fui ao seminário para entregar minha tese e concluir todos os meus compromissos acadêmicos. De repente comecei assistir uma cena cinematográfica. As torres gêmeas do World Trade Center estavam em chamas. Pensei que fosse um filme de ficção. Quando cheguei em casa, minha esposa estava alarmada. Não era um filme, mas uma cena real e dramática de um atentado terrorista. O símbolo maior da pujança econômica da nação estava entrando em colapso. Jamais podia imaginar que o país mais poderoso do mundo pudesse ser tão vulnerável. A tempestade havia chegado repentinamente e de forma avassaladora.
Muitas vezes, as tempestades chegam de forma tão intensa que deixam as estruturas da nossa vida abaladas. Põem no chão aquilo que levamos anos para construir. É um casamento edificado com abnegação e amor, que se desfaz pela tempestade da infidelidade conjugal. É um sonho nutrido na alma com tanto desvelo que se transforma num pesadelo. De repente uma doença incurável abala a família, um acidente trágico ceifa uma vida cheia de vigor, um divórcio traumático deixa o cônjuge ferido e os filhos amargurados. Uma amizade construída pelo cimento dos anos naufraga pela tempestade da traição.
Em terceiro lugar, as tempestades da vida são inadiministráveis. Elas são maiores do que nossas forças. Os discípulos se esforçaram para contornar o problema, para saírem ilesos da tempestade. Mas eles nada puderam fazer para enfrentar a fúria do vento. Seus esforços não puderam vencer o problema. Eles precisaram clamar a Jesus. O problema era maior do que a capacidade deles de resolver. Há problemas que nos deixam com uma profunda sensação de impotência. Não temos força para resistir a fúria dos ventos e a força das ondas. Certa feita, Josafá, rei de Judá, foi encurralado por três inimigos que se armaram até os dentes para atacar Jerusalém. Mandaram-lhe um recado insolente, dizendo que o rei não podia escapar de suas mãos. Josafá teve medo, pôs-se a buscar a Deus e decretou um jejum em toda a nação. Então, Josafá orou e disse: “Ó Deus não há em nós força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós e não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos estão postos em ti” (2 Cr 20:12). Quando o problema é maior do que a nossa força, quando não temos capacidade nem estratégia, precisamos olhar para Deus e depender dele, pois quando a tempestade está fora do nosso controle, certamente não está fora do controle de Deus.
Em quarto lugar, as tempestades da vida são surpreendentes. Elas podem transformar cenários domésticos em lugares ameaçadores. O Mar da Galiléia era um lugar muito conhecido daqueles discípulos. Alguns deles eram pescadores profissionais e conheciam cada palmo daquele lago. Muitas vezes eles cruzaram aquele mar lançando suas redes. Ali era o lugar do seu ganha pão. Mas agora, estão em apuros. O comum tornou-se um monstro indomável. Aquilo que parecia ser administrável torna-se uma força incontrolável. Muitas vezes, as tempestades mais borrascosas que enfrentamos na vida não vêm de horizontes distantes nem trazem coisas novas, mas apanham aquilo que era ordinário e comum em nossa vida e bota tudo de cabeça para baixo. Muitas vezes, é o cônjuge que foi fiel tantos anos que dá uma guinada e se transforma numa pessoa amarga, agressiva e abandona o casamento para viver uma aventura com outra pessoa. Outras vezes, é o filho obediente que resvala os pés e transforma-se numa pessoa agressiva, irreverente, dissimulada e insolente com os pais. Ainda hoje, há momentos em que as crises maiores que enfrentamos nos vêm daqueles lugares onde sentíamo-nos mais seguros.
II. OS CONFLITOS QUE ENFRENTAMOS NAS TEMPESTADES DA VIDA
Esse texto nos apresenta algumas tensões que enfrentamos nas tempestades da vida:
Em primeiro lugar, como conciliar a obediência a Cristo com a tempestade (4:35). Os discípulos entraram no barco por ordem expressa de Jesus e mesmo assim, enfrentaram a tempestade. Eles estavam no centro da vontade de Deus e ainda enfrentaram ventos contrários. Eles estavam onde Jesus os mandou estar, fazendo o que Jesus os mandou fazer, indo para onde Jesus os mandou ir e mesmo assim, enfrentaram uma terrível borrasca.
Jonas enfrentou uma tempestade porque desobedecia a Deus; os discípulos porque obedeciam. Você tem enfrentado tempestade pelo fato de andar com Deus, de obedecer aos mandamentos de Jesus? Você tem sofrido oposição e perseguição por ser fiel a Deus. Tem perdido oportunidade de negócios por não transigir. Tem perdido concorrências em seus negócios por não dar propina. Tem sido considerado um estorvo no seu ambiente de trabalho por não se envolver no esquema de corrupção. Há momentos que sofremos, não por estarmos na contramão, mas por andarmos pelo caminho direito. O mundo odiou a Cristo e também vai nos odiar. Seremos perseguidos por vivermos na luz.
Em segundo lugar, como conciliar a tempestade com a presença de Jesus (4:35, 36). O fato de Jesus estar conosco não nos poupa de certas tempestades. Ser cristão não é viver numa redoma de vidro, numa estufa espiritual. O céu não é aqui. Jesus foi a uma festa de casamento e mesmo ele estando lá, faltou vinho. Um crente que anda com Jesus pode e muitas vezes enfrenta também terríveis tempestades. Jesus passara todo aquele dia ensinando os discípulos as parábolas do Reino. Mas agora viria uma lição prática. Jesus sabia da tempestade. Ela estava no currículo de Jesus para aquele dia. A tempestade ajudou os discípulos a entenderem que podemos confiar em Jesus nas tempestades da vida.
Em terceiro lugar, como conciliar a tempestade com o sono de Jesus. Talvez o maior drama dos discípulos não foi a tempestade, mas o fato de Jesus estar dormindo durante a tempestade. Na hora do maior aperto dos discípulos, Jesus estava dormindo. Às vezes, temos a sensação de que Deus está dormindo. O Salmo 73 fala sobre o sono de Deus. Aquele que não dormita nem dorme, às vezes, parece não estar atento aos dramas da nossa vida e isso gera uma grande angústia em nossa alma.
III. AS GRANDES PERGUNTAS FEITAS NAS TEMPESTADES DA VIDA
Esse texto apresenta-nos três perguntas. Todas elas são instrutivas. Elas nos apresentam a estrutura do texto. As lições emanam dessas perguntas. Aqui temos a pedagogia da tempestade:
1. Mestre, não te importa que pereçamos (4.38)
Essa pergunta nasceu do ventre de uma grande crise. Seu parto se deu num berço de muito sofrimento. Os discípulos estavam vendo a carranca da morte. O mar embravecido parecia sepultar suas últimas esperanças. Depois de esgotados todos os esforços e baldados todos os expedientes humanos, eles clamaram a Jesus: “Mestre, não te importa que pereçamos”.
Em primeiro lugar, esse grito evidencia o medo gerado pela tempestade. A tempestade provoca medo em nós, porque ela é maior do que nós. Em tempos de doença, perigo de morte, desastres naturais, catástrofes, terremotos, guerras, comoção social, tragédias humanas, explode do nosso peito este mesmo grito de medo e dor: “Mestre, não te importa que pereçamos?” (Mc 4:38). Mateus registra: “Senhor, salva-nos! Perecemos!” (Mt 8:25). Lucas diz: “Mestre, Mestre estamos perecendo!” (Lc 8:24). Essas palavras expressaram mais uma crítica do que um pedido de ajuda. Às vezes é mais fácil reclamar de Deus do que depositar nossa ansiedade aos seus pés e descansar na sua providência.
Um dos momentos mais comoventes que experimentei na vida foi a visita que fiz ao museu Yad Vasheim, em Jerusalém. Esse museu é um memorial das vítimas do holocausto. Seis milhões de judeus pereceram nos campos de concentração nazista, nos paredões de fuzilamento e nas câmaras de gás. Um milhão e meio de crianças foram mortas sem qualquer piedade. No jardim de entrada do museu há um monumento de uma mulher cuja cabeça é uma boca aberta com dois filhos mortos no colo. Essa mulher retrata o desespero de milhares de mães que ergueram seu grito de dor, sem que o mundo as ouvisse. Representa o sofrimento indescritível daquelas mães que marchavam para a morte e viam seus filhos tenros e indefesos serem vítimas da mais brutal e perversa perseguição de todos os tempos. Ao entrar no museu, enquanto caminhava por uma passarela escura, sob o som perturbador do choro e gemido de crianças, vi um milhão e meio de velas acesas, refletidas em espelhos. Enquanto cruzava aquele corredor de lembranças tão amargas não pude conter as lágrimas. Lembrei-me do medo, pavor e desespero que tomou conta dos pais naqueles seis anos de barbárie e cruel perseguição. Quantas vezes, nas tempestades avassaladoras da vida também encharcamos a nossa alma de medo. Os problemas se agigantam, o mar se revolta, as ondas se encapelam e o vento nos açoita com desmesurado rigor.
Em segundo lugar, esse grito evidencia alguma fé. Se os discípulos estivessem completamente sem fé, eles não teriam apelado a Jesus. Eles não o teriam chamado de Mestre. Eles não teriam pedido a ele para salvá-los. Naquela noite trevosa, de mar revolto, de ondas assombrosas que chicoteavam o barco e ameaçava engoli-los, reluz um lampejo de fé. Quantas vezes, nessas horas também nos voltamos para Deus em forte clamor. Quantas vezes há urgência na nossa voz. Na hora da tempestade, quando os nossos recursos se esgotam, a nossa força se esvai precisamos clamar ao Senhor. Quando as coisas fogem do nosso controle, continuam ainda sob o total controle de Jesus. Para ele não há causa perdida. Ele é o Deus dos impossíveis.
Em terceiro lugar, esse grito evidencia uma fé deficiente. Se os discípulos tivessem uma fé madura, eles não teriam se entregue ao pânico e ao desespero. A causa do desespero não era a tempestade, mas a falta de fé. O perigo maior que enfrentavam não era a fúria do vento ao redor deles, mas a incredulidade dentro deles. Havia deficiência de fé no conhecimento deles. Mesmo dormindo Jesus sabia da tempestade e das necessidades deles. Havia deficiência de fé na convicção do cuidado de Cristo. Jesus já havia provado para eles que ele se importava com eles.
Um dos sentimentos que nos assaltam na hora da tempestade é que Deus não se importa conosco. Somos apressados em concluir que ele está indiferente à nossa dor. Mas quando julgamos que ele está longe ou indiferente, ele sabe o que está fazendo. Não há Deus como o nosso que trabalha para aqueles que nele esperam. Ele trabalha no turno da noite preparando algo melhor e maior para a nossa vida. Quando ele permite a tempestade é porque está desejoso de nos ensinar profundas lições de vida.
2. Por que sois assim tímidos. Por que não tendes fé (4.40)
Os discípulos falharam no teste prático e revelaram medo e não fé. Onde o medo prevalece, a fé desaparece. Ficamos com medo porque duvidamos que Deus está no controle. Enchemos nossa alma de pavor porque pensamos que as coisas estão fora de controle. Desesperamo-nos porque julgamos que estamos abandonados à nossa própria sorte. A palavra grega para medo deiloi significa “medo covarde”. Os discípulos estavam agindo covardemente, quando poderiam ter agido com plena confiança em Jesus. Aqueles discípulos deviam ter fé e não medo, e isso por quatro razões:
Em primeiro lugar, a promessa de Jesus (4:35). Jesus havia empenhado sua palavra a eles: “passemos para a outra margem”. O destino deles não era o naufrágio, mas a outra margem. O Senhor vela pela sua palavra em a cumprir. Quando ele fala, ele cumpre. Promessa e realidade são a mesma coisa. A Palavra de Jesus, as promessas de Jesus não podem ser frustradas. São planos são perfeitos. Pode passar o céu e a terra, mas as palavras do Senhor não passarão. O que ele fala, ele cumpre. Ele não é homem para mentir. Ele é a verdade.
Jesus não promete viagem calma e fácil, mas garante chegada certa e segura. Jesus não nos promete ausência de luta, mas vitória garantida. A palavra de ordem de Jesus tornou-se uma promessa segura de Jesus. Essa promessa deveria ter encorajado e fortalecido os discípulos (Sl 89:9).
Quando o medo assaltar a sua fé, agarre-se nas palavras e nas promessas de Jesus. Quando as pessoas à sua volta disserem para você que a situação está perdida e que não existe mais solução, creia na Palavra de Jesus. Para ele não há impossíveis. Ele caminha sobre as ondas. Ele põe termo à guerra. Ele salva o perdido, cura o enfermo, levanta o caído e faz novas todas as coisas.
Em segundo lugar, a presença de Jesus (4:36). É a presença de Jesus que nos livra do temor. Davi diz que ainda que andasse pelo vale da sombra da morte não temeria mal algum (Sl 23:4). Não porque o vale seria um caminho seguro. Não porque a circunstância era fácil de enfrentar, mas porque a presença de Deus era o seu amparo. A presença de Deus nas tempestades é nossa âncora e nosso porto seguro. O profeta Isaías ergue sua voz em nome de Deus e diz que quando tivermos que passar pelas águas revoltas do mar da vida, Deus estaria com conosco. Quando precisássemos cruzar os rios caudalosos eles não nos submergiriam. Quando tivéssemos que entrar nas fornalhas acesas da perseguição e do sofrimento, a chama não arderia em nós, porque Deus estaria conosco (Is 43:1-3). Jesus disse aos seus discípulos: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28:20). Os discípulos se entregaram ao medo porque esqueceram-se de que Jesus estava com eles. O Rei do céu e da terra estava no mesmo barco e por isso, o barco não podia afundar. O criador do vento e do mar está conosco, não precisamos ter medo das tempestades.
Quando dos discípulos noutra ocasião enfrentaram a fúria desse mesmo mar, Jesus apareceu a eles andando sobre as águas e dizendo-lhes: “Não tenham medo, sou eu.” Queridos leitores, as tempestades virão. Elas podem ser maiores do que nossas forças. Elas podem desafiar nossa capacidade de resistência. Elas podem tirar o leme do nosso barco das nossas mãos. As coisas podem fugir do nosso controle. Mas, o Senhor do céu e da terra, prometeu estar conosco sempre. Ele é o nosso refúgio e libertador. Sendo ele o nosso guia e protetor nada precisamos temer.
Em terceiro lugar, a paz de Jesus (4:38). Enquanto a tempestade rugia com toda fúria, Jesus estava dormindo. Dewey Mulholland diz que assim como o homem que jogou a semente no solo e depois adormeceu tranquilamente (4.26), Jesus descansa certo de que o Pai cuidará dele e da semente que plantara. Será que Jesus sabia que a tempestade viria. É óbvio que sim. Ele sabe todas as coisas, nada o apanha de surpresa. Aquela tempestade estava na agenda de Jesus; ela fazia parte do curriculo de treinamento dos discípulos. Mas, se Jesus sabia da tempestade, por que durmiu. Ele dormiu por duas razões: dormiu porque descansava totalmente na providência do Pai; dormiu porque sabia a tempestade seria pedagógica na vida dos seus discípulos. O fato de Jesus estar descansando na tempestade já deveria ter acalmado e encorajado os discípulos. Jesus estava descansando na vontade do Pai e sabia que o Pai podia cuidar dele enquanto dormia. Isso é paz no vale. Jonas dormiu na tempestade com uma falsa segurança, visto que estava fugindo de Deus. Jesus dormiu na tempestade porque ele estava verdadeiramente seguro na vontade do Pai.
As tempestades da vida podem nos abalar, mas não abalam o nosso Senhor. Elas podem ficar fora do nosso controle, mas não fora do controle de Jesus. Quando Jesus chegou na aldeia de Betânia, Marta disse para ele: “Se tu estiveras aqui meu irmão não teria morrido”. Ela pensou que a morte colocava um ponto final nas inesgotáveis possibilidades de Jesus. Ela pensou que a morte tinha a última palavra. Jesus ao chegar no túmulo de Lázaro, disse: “Tirai a pedra”. Marta retrucou: “Já cheira mal”. Agora é tarde, não se pode fazer mais nada. Mas Jesus disse: “Se creres, verás a glória de Deus”. Para Jesus não há causa perdida, não há problema insolúvel. Mesmo que você esteja no fundo do poço, no fim da linha e tenha chegado um estado de completo esgotamento, Jesus pode colocar você de pé e fazer um milagre. Lázaro estava morto e sepultado há quatro dias, mas ele ouviu a voz de Jesus e saiu do túmulo. A morte não tem a última palavra. Jesus está no controle!
Em quarto lugar, o poder de Jesus (4:39). Aquele que estava no barco com os discípulos é o criador da natureza. As leis da natureza estão nas suas mãos. Ele controla o universo. A natureza ouve a sua voz e o obedece. Seguimos ao Senhor que tem todo poder e autoridade no céu e na terra. Ele trabalha em nosso favor. Ele nos conheceu e nos amou antes da fundação do mundo. Ele já nos destinou para a glória. Ele nos chamou e converteu o nosso coração. Somos dele. Ele cuida de nós. Quem tocar em nós, toca na menina dos seus olhos.
Marcos insere esse registro da tempestade num contexto que enaltece e destaca o poder de Jesus. Ele está revelando seu poder sobre as leis da natureza, acalmando o mar. Ele revela sua autoridade sobre os demônios, libertando o gadareno de uma legião, ou seja, seis mil demônios. Ele acentua sua autoridade sobre a enfermidade, curando uma mulher hemorrágica, que vivia doze anos prisioneira de sua enfermidade. Ele ressuscita a filha de Jairo, para provar que até a morte está debaixo da sua absoluta autoridade e poder.
Jesus repreendeu o vento e o mar e eles se aquietaram e se emudeceram. Adolf Pohl diz: “Não temos mais Jesus adormecido no rugido da tempestade, mas a tempestade adormecida aos pés do Senhor que dera a ordem”. Ele tem poder para repreender também os problemas que nos atacam, a enfermidade que nos assola, a crise que nos cerca, as aflições que nos oprimem. Jesus repreendeu o mar pela sua fúria e depois repreendeu os discípulos pela sua falta de fé. Muitas vezes, a tempestade mais perigosa não é aquela levanta os ventos e agita o mar, mas a tempestade do medo e da incredulidade. O nosso maior problema não está ao nosso redor, mas dentro de nós. O Senhor é a nossa bandeira. É o nosso defensor. Ele é o nosso escudo. Não precisamos temer.
3. Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem (4.41)
As tempestades são pedagógicas. Elas são a escola de Deus para nos ensinar as maiores lições da vida. Aprendemos mais na tempestade do que nos tempos de bonança. Foi através do livramento da tempestade que eles tiveram uma visão mais clara da grandeza singular de Jesus. Os discípulos que estavam com medo da tempestade, estão agora cheios de temor diante da majestade de Jesus. A palavra grega para medo aqui, phobeo é outra e não significa medo covarde, mas temor reverente. Seu medo e a falta de fé vêm à tona por um único motivo: eles não sabem quem é Jesus. Quando passa o medo da tempestade e da morte, eles são acometidos por um outro tipo de temor; uma sensação de assombro, porque Deus estava bem ali. Eles passaram a ter uma fé real e experimental e não uma fé de segunda-mão. A pergunta deles é respondida pelo próprio texto em apreço.
Em primeiro lugar, Jesus é o mestre supremo que veio estabelecer o Reino de Deus (34,38). Jesus ensinou através das parábolas do Reino e também através da tempestade. Seus métodos são variados, seu ensino eficaz. Ele é o grande Mestre que nos ensina pela Escritura e também pelas circunstâncias da vida. Devemos aprender com ele e sobre ele. O Reino chegou com o Rei. Ele é o Rei. O Reino já foi inaugurado. O Reino já está entre nós e dentro de nós.
Em segundo lugar, Jesus é perfeitamente homem (4:38). O sono de Jesus mostra-nos sua perfeitamente humanidade. O verbo se fez carne. Deus se fez homem. O infinito entrou no tempo. Aquele que nem o céu dos céus podem conter foi enfaixado em panos e deitado numa manjedoura. Aquele é criador e dono do universo se fez pobre e não tinha onde reclinar a cabeça. Esse é um grande mistério. Quem pode crer na encarnação de Jesus não deveria mais duvidar de nenhum de seus gloriosos milagres.
Em terceiro lugar, Jesus é perfeitamente Deus (4:39). Ele é o criador, sustentador e o interventor na natureza. O vento ouve a sua voz. O mar se acalma quando ele fala. Todo o universo se curva diante da sua autoridade. Ele é o verdadeiro Deus. É ele quem livra o seu povo e acalma as nossas tempestades. É ele quem acalma os terremotos da nossa alma. Ernesto Trenchard diz que todos os milagres, este é onde vemos mais intimamente entrelaçados a humanidade e a divindade do Senhor Jesus. O mesmo Jesus que dormiu exausto depois de um dia de ensino, levanta-se e repreende o vento e o mar.
Em quarto lugar, Jesus é o benfeitor desconhecido (4:36). Algumas pessoas que enfrentavam a mesma tempestade naquele mar, seguindo a carava em outros barcos, foram beneficiadas sem saber que a bonança fora intervenção de Jesus. Há muitas pessoas que recebem milagres e livramentos, mas não sabem que esses prodígios vieram das mãos de Jesus.
Em quinto lugar, Jesus é aquele que tem toda autoridade para libertar o aflito (4:39,41). A pergunta foi: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”. O contexto mostra que Jesus é o Senhor sobre cada circunstância e o vencedor dos inimigos que nos ameaçam: 1) Vitória sobre os perigos – Mc 4:35-41; 2) Vitória sobre os demônios – Mc 5:1-20; 3) Vitória sobre a enfermidade – Mc 5:21-34; 4) Vitória sobre a morte – Mc 5:35-43.
A intervenção soberana de Jesus, às vezes, acontece quando todos os recursos humanos acabam. Nossa extremidade é a oportunidade de Deus.
As tempestades fazem parte do currículo de Jesus para nos fortalecer na fé. As provas não vêm para nos destruir, mas para nos fortalecer. O fogo não vêm para nos destruir, mas para nos purificar. Jesus está no controle das tempestades que nos ameaçam. Ele pode fazê-las cessar a qualquer momento!
As grandes lições da vida nós as aprendemos nas tempestades. Na Costa da Califórnia há uma praia famosa que se chama “Pebble Beach” em uma reentrância cercada de muralhas, as pedras, impelidas pelas ondas, se atiram umas contras as outras e também nas saliências agudas dos penhascos. Turistas de todas as partes do mundo ali já se têm reunido para recolher daquelas pedras arredondadas e preciosas. Elas servem de ornamentos para escritórios e salas de visita. Ali bem perto há uma outra enseada em que se não verifica a mesma tormenta. Existem ali pedras em grande abundância, mas nunca são escolhidas pelos viajantes. Elas escaparam do alvoroço e da trituração das ondas. A quietude e a paz as deixam como as encontraram: toscas, angulosas e sem beleza. O polimento das outras, tão apreciadas se verifica por meio da tribulação constante. Comentando esse fato, um escritor escreveu: “Quase todas as jóias de Deus são lágrimas cristalizadas.”
Quando Jesus fez cessar o vento e o mar, e eles se acalmaram como uma criança que se aquieta diante da ordem e autoridade do pai, Mateus diz que os discípulos se maravilharam. Marcos diz que eles temeram grandemente. Antes eles tinham medo da natureza. Agora eles temem o criador da natureza. Antes eles estavam amedrontados pelo vento, agora estão cheios de temor pelo Senhor do vento. Agora eles estão cheios de temor e admiração diante do poder de Jesus.
A quem você teme: as circunstâncias ou o Senhor das circunstâncias?
Rev. Hernandes Dias Lopes.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O poder da palavra na implantação do reino

Referência: Marcos 4.21-33
INTRODUÇÃO
1. Jesus ensina por meio de parábolas
Jesus foi o maior de todos os mestres, pela natureza do seu ensino, pela excelência de seus métodos e pela grandeza do seu exemplo. Ele não foi um alfaiate do efêmero, mas um escultor do eterno.
As parábolas eram janelas abertas para uns e portas fechadas para outros. Eram avenidas de compreensão das verdades do Reino para os discípulos e portas cerradas para aqueles que perseguiam e zombavam. O termo parábola é de origem grega. Etimologicamente significa “a colocação de uma coisa ao lado da outra para fins de comparação”.
2. Jesus ensina sobre o poder da Palavra no estabelecimento do Reino
As parábolas usadas por Marcos estão ligadas ao poder da Palavra no estabelecimento do Reino de Deus. Jesus contou três parábolas sobre o Reino: semeador, semente, grão de mostarda. A primeira fala da resposta do homem à Palavra; a segunda trata do poder intrínseco da Palavra; a terceira fala da capacidade de extraordinária de crescimento dessa Palavra no estabelecimento do Reino.
Vamos examinar essas três parábolas e extrair suas principais lições:
I. O PODER DA PALAVRA PARA ILUMINAR A TODOS – (4.21-25)
Jesus usa figuras diferentes para ensinar a mesma lição: os corações férteis assemelham-se a lâmpadas luminosas. É a Palavra de Deus que produz brilho nas vidas ao estabelecer sua influência nelas. A Palavra é simbolizada pela semente e também pela lâmpada. Os rabinos estavam escondendo aquela palavra debaixo de um sistema elaborado de tradições humanas e ações hipócritas. Hoje, muitas pessoas ainda escondem a palavra debaixo do alqueire e da cama, símbolos do lucro e do prazer.
Jesus fala sobre essa parábola para esclarecer o que havia dito nos versos 11 e 12. A verdade não é para ser escondida. A lâmpada deve voltar a brilhar com todo o seu esplendor. Ela não pode ser colocada debaixo do alqueire nem debaixo da cama, mas no velador. O mistério do Reino deve ser revelado e não escondido.
Que implicações essa parábola de Jesus tem para igreja hoje:
1. Nós devemos proclamar a verdade do Reino para os outros – v. 21,22
Não podemos receber conhecimento da Palavra e guardá-lo apenas para nós mesmos, escondendo essa luz debaixo do alqueire ou da cama. Não faz sentido ter uma lâmpada escondida numa casa. A luz da verdade não nos é dada para ser retida, mas para ser proclamada. Precisamos repartir com outros essa luz. Precisamos compartilhar com os outros os tesouros da graça de Deus. Não podemos enterrar nossos talentos nem esconder nossa luz. Não podemos nos calar nem nos omitir covardemente.
Com a figura da lâmpada, Jesus se distanciou de modo veemente fundamental do esoterismo. O Reino de Deus não é uma religião de mistério nem uma doutrina fechada, mas uma verdade para sair do esconderijo e alcançar os telhados do mundo.
Um filho do Reino precisa ser um embaixador do Reino, um anunciador de boas novas, um arauto da verdade, um facho de luz a brilhar diante do mundo. A igreja é o método de Deus para alcançar o mundo. A evangelização dos povos é uma tarefa imperativa, intransferível e impostergável. Precisamos dizer aos famintos que encontramos pão e dizer aos perdidos que encontramos o Messias. Precisamos pregar a tempo e a fora de tempo e aproveitar as oportunidades.
William Barclay diz que o propósito da verdade é que ela seja vista. Quando Lutero decidiu enfrentar a Igreja Romana se propôs a combater primeiro as indulgências. Em Wittemberg havia uma igreja chamada “a igreja de todos os santos”, muito ligada à Universidade. Sobre a porta da igreja fixavam-se notícias da Universidade, assim como os temas das discussões acadêmicas. No dia de maior freqüência à igreja, o dia de todos os santos, dia 01 de novembro, que coincidia com o aniversário da igreja, Lutero fixou suas noventa e cinco teses sobre a porta no dia anterior, 31 de outubro, a fim o maior número de pessoas pudessem ler. Lutero havia descoberto a verdade e não guardá-la apenas para si. Precisamos colocar a lâmpada da verdade no velador, para que todos possam vê-la.
2. Nós devemos entender que a verdade jamais pode ficar escondida – v. 22
Há algo indestrutível na verdade. Os homens podem resisti-la e negá-la, mas não destruí-la. No começo do século XVI o astrônomo Nicolau Copérnico descobriu que a terra não é o centro do universo. Viu que na realidade ela gira em torno do sol. Por cautela, durante trinta anos, não difundiu seu descobrimento. Por último, em 1543, quando estava à beira da morte, convenceu a um editor atemorizado a publicar sua obra As Revoluções dos Corpos Celestes. Copérnico morreu em seguida, mas outros herdaram a tormenta. Galileu Galilei no começo do século XVII aderiu à teoria de Copérnico e firmou sua adesão publicamente. Em 1616 a inquisição o convocou a Roma e condenou suas crenças. Para não morrer, ele retratou-se. Mais tarde com a ascensão de um novo papa, voltou a reafirmar sua crença, mas Urbano VIII o forçou a retratar-se sob pena de tortura e morte. A retratação o livrou da morte, mas não da prisão. Mas a verdade não pode ser exilada. Pode-se atacar, torcer, reprimir, mas jamais prevalecer sobre a verdade.
A verdade vai prevalecer sempre. No dia do juízo, aqueles que escaparam da lei, que saíram ilesos dos tribunais ou aqueles que praticaram seus pecados longe dos holofotes terão seus pecados anunciados publicamente. A verdade pode demorar a revelar-se, mas ela jamais será sepultada no esquecimento.
3. Nós devemos refletir sobre o que nós ouvimos – v. 23
Jesus enfatizou várias vezes neste capítulo a imperativa necessidade de prestar atenção no que ouvimos (v. 3,9,23,24). John Charles Ryle diz que ouvir é a principal avenida através da qual a graça é plantada na alma humana. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo (Rm 10.17). Somos incluídos em Cristo quando ouvimos a Palavra da verdade (Ef 1.13). Pela pregação da Palavra a glória de Deus é manifesta, a fé é alimentada e o amor praticado.
Muitos ouvem e desprezam. Outros ouvem e esquecem. Há aqueles que ouvem e deliberadamente deixam para depois. Devemos inclinar os nossos ouvidos para atender o que ouvimos.
4. Nós devemos ser cautelosos no julgamento alheio – v. 24
Uma pessoa bondosa tem prazer de dar crédito a quem merece crédito (Lc 6.38). Por outro, se a disposição é maldosa, ela desenvolverá o hábito de julgar com severidade (Mt 7.1-5). Nós vemos nos outros o reflexo do nosso próprio rosto. Nós colhemos o que plantamos. Nós bebemos o refluxo do nosso próprio fluxo. Exemplo: A casa dos mil espelhos.
5. Nós devemos fazer uso diligente dos privilégios espirituais – v. 25
William Hendriksen diz que o imobilismo é impossível nas questões espirituais. Uma pessoa ganha ou perde; avança ou retrocede. “Ao que tem se lhe dará; e, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”. Obediência implica em bênção; desobediência implica em prejuízo. Cada bênção é garantia de maiores bênçãos por vir (Jo 1.16). Aquele que é iluminado pela verdade e despreza esse privilégio está cometendo um grave pecado e perdendo uma grande oportunidade. A preguiça e a indolência são combatidas severamente nas Escrituras. A Bíblia diz: “O preguiçoso deseja, e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta” (Pv 13.4). Adolf Pohl diz que se resistirmos ao amor de Deus, no dia em que à nossa volta as carroças da colheita seguirem carregadas para os depósitos, em nossa lavoura só haverá mata para queimar.
Este é um princípio para uma vida bem-sucedida. Assim como os músculos são fortalecidos pelo exercício, de igual forma, fortalecemo-nos espiritualmente com a prática da vida cristã. Conhecimento sem prática gera obesidade e flacidez espiritual. A maneira de termos uma vida cristã robusta é exercitarmos o que recebemos, aproveitando as oportunidades.
II. O PODER INTRÍNSECO DA PALAVRA PARA FRUTIFICAR NOS CORAÇÕES (4.26-29)
Certamente Jesus ensinou esta parábola para encorajar seus discípulos. Eles possivelmente ficaram desencorajados sobre o significado da parábola do semeador em que três quartos da semente perderam-se. Podemos nós confiar apenas na resposta do coração humano para termos sucesso em nossa missão. Podemos nós depender apenas da resposta humana. Jesus, então, mostrou o outro lado da verdade. A semente é a Palavra de Deus. Embora o semeador não veja inicialmente nenhuma evidência e resultado do seu labor, a semente trabalha por si mesma no ventre da terra. A semente tem vida em si mesma, porque ela é a Palavra do Deus vivo. O Espírito Santo trabalha eficazmente nela e através dela para a expansão do Reino de Deus.
Se na parábola do semeador Jesus enfatizou a responsabilidade humana, nesta parábola, Jesus enfatiza a soberania de Deus. Aqui vemos o intrínseco poder da semente. O ser humano de si mesmo não pode fazer nada. É somente pelo poder, dado por Deus, que ele pode se voltar para Deus e ter uma fé verdadeira. A Palavra de Deus semeada no coração humano trabalha por si mesma. A semente tem vida em si mesma. Ela trabalha automaticamente, invisivelmente, poderosamente e triunfantemente. Deus é o autor do crescimento espiritual.
Vejamos as lições desta parábola:
1. O imperceptível começo do Reino de Deus – v. 26
Nesta parábola Jesus não está falando do Reino escatológico, mas do Reino presente (v. 26). Como esse reino é estabelecido. Como ele cresce dentro de nós.
Em primeiro lugar, é necessário existir um semeador (4.26).A terra, como nós sabemos, jamais produz grãos por si mesma. Ela é a mãe das ervas daninhas, mas não do trigo. Sem semeadura não há colheita. Sem pregação não há conversão. Sem chamado não há resposta. Deus dá o crescimento à semente que semeamos. O coração humano, semelhantemente, jamais se tornará para Deus em arrependimento, fé e obediência. Ele é absolutamente estéril para a divina semente. O coração humano está totalmente morto para Deus e é incapaz de dar vida a si mesmo.
Em segundo lugar, o semeador não pode fazer a semente crescer (4.27). A única coisa que o semeador pode fazer é confiar. A única coisa que ele pode fazer é dormir noite após noite e levantar, um dia após o outro. O semeador tem limitações. Ele pode semear a semente na terra, mas não pode fazê-la produzir. Só Deus pode produzir vida e dar o crescimento. Paulo diz: “Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento vem de Deus. De tal modo que nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas somente Deus que dá o crescimento” (1 Co 3.6,7). Somente Deus pode fazer seu reino crescer. Somente Jesus pode edificar sua própria igreja. Somente Deus pode acrescer aqueles que dia a dia vão sendo salvos. Todo o esforço humano seria insuficiente para converter sequer uma vida. O Reino de Deus é vitorioso. Seu Reino conquistará todos os reinos do mundo. Jesus colocará todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. O próprio Deus conduzirá seu Reino à consumação.
Em terceiro lugar, o semeador não pode entender o processo do crescimento da semente (4.27). O semeador não apenas não pode fazer a semente germinar, como também não sabe como ela germina. Deus age poderosa, misteriosa e inexplicavelmente na implantação do seu Reino. Nós não podemos entender porque a semente produz resultados gloriosos numa vida e more na outra. Não podemos especificar a hora nem o minuto em que a vida desabrocha a partir da Palavra no coração humano. Não podemos explicar todos os detalhes e segredos da intervenção milagrosa de Deus no coração humano que ouve a Palavra. O semeador semeia e dorme, mas não pode fazer a semente crescer nem entende como ela cresce.
2. O progressivo desenvolvimento do Reino de Deus – v. 28
Jesus ensinou preciosas lições sobre esse precioso assunto:
Em primeiro lugar, a semente cresce imperceptivelmente (4.27). Quando o semeador lança a semente no coração humano, ela cresce secreta, silenciosa, misteriosa e imperceptivelmente. O semeador olha e não vê coisa alguma acontecendo; ele não pode ver o resultado do seu labor. Ele não pode ver nenhum sinal de vida e nenhuma transformação da pessoa, mas a Palavra de Deus, pela operação do Espírito Santo gera transformação e vida. A divina semente muda as disposições íntimas da alma. Ela regenera o pecador e produz nele uma nova vida. Então ele se torna uma nova criatura.
Em segundo lugar, a semente cresce automaticamente (4.28). A semente revela seu poder. A terra produz por si mesma, automaticamente, sem causa visível e sem qualquer esforço humano. A palavra grega é automate, que significa automaticamente. Esta “por si mesma”, que exclui a responsabilidade humana, não é à parte da intervenção de Deus. Essa palavra aparece também em Atos 12.10, quando diz que o portão de ferro da prisão de Pedro abriu-se automaticamente sem qualquer ajuda externa ou esforço humano. Jesus ensinou que o segredo do crescimento é confiado a terra. Contudo, a ênfase desta parábola é o poder intrínseco da semente que lançada a terra.
O semeador olha o campo e não vê evidência de crescimento. Mas, de repente, ele olha novamente e vê a semente crescimento para uma grande colheita. De igual modo, ocorre com o Reino de Deus. O Espírito de Deus está trabalhando poderosamente em conexão com a Palavra. Enquanto o semeador está dormindo, a Palavra de Deus está agindo secretamente, poderosamente, constantemente e eficazmente nos corações para uma grande colheita.
Em terceiro lugar, a semente cresce inevitavelmente (4.27,28). Ninguém pode neutralizar a semente destinada a crescer. Ela é vitoriosa. Uma árvore pode romper um pavimento de cimento armado com o poder de seu crescimento. Mesmo com a rebeldia humana e sua desobediência, a obra de Deus prossegue. Da mesma forma, a obra do Espírito no coração do homem é uma obra eficaz. Paulo diz: “Aquele que começou boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). O Reino de Deus não conhece derrotas. Ele jamais será derrotado. Haendel em sua imortal música Halleluiah expressa essa sublime verdade do glorioso triunfo do Reino de Deus. Este Reino começou imperceptivelmente e secretamente no coração humano como uma pequena semente lançada sobre a terra, agora está crescendo gloriosa e invencivelmente. A obra de Deus é invencível. Nem o mundo nem mesmo as hostes do inferno poderão roubar a divina semente plantada em nós, destinada a produzir frutos para a glória de Deus.
Em quarto lugar, a semente cresce gradualmente (4.28). Uma pequena semente tem dentro de si o potencial para ser uma grande árvore. Um grande carvalho foi inicialmente uma pequena semente. O crescimento da semente passa por vários estágios até chegar à maturidade. Semelhantemente, os filhos de Deus não nascem perfeitos em fé, esperança, conhecimento e experiência. As duas coisas mais importantes na vida são nascer e crescer. O projeto de Deus para nós a perfeição ou maturidade até chegarmos à estatura de Cristo (Ef 4.12,13). O projeto de Deus não é apenas nos levar para a glória, mas transformar-nos à semelhança do Rei da glória.
Esse crescimento gradual passa por três estágios:
Primeiro, a erva. Quando a semente é semeada no coração ela produz uma profunda inquietação interior. Então, a pessoa é confrontada pela Palavra de Deus que começa a desintegrar as velhas estruturas e valores.
Segundo, aparece a espiga. Esta é a manifestação e exteriorização daquela florescente inquietude. A espiga pode ser o abandono de toda prática do pecado e adoção de novos valores.
Terceiro, aparece o grão cheio na espiga. Isso fala da vida de Jesus manifestando-se em nossa experiência. Deus trabalha gradualmente.
3. A gloriosa consumação do Reino de Deus – v. 29
O Reino está presente tanto na semente quanto na colheita. Ele é o Reino que já veio e o Reino que virá. Está aqui a tensão entre o JÁ e o AINDA NÃO. No começo o Reino é apenas um embrião, depois será espiga cheia; oculto agora, totalmente manifesto então. Duas verdades são destacadas por Jesus:
Em primeiro lugar, a maturidade do grão fala da perseverança da obra de Deus (4.29). Todo aquele que nasceu dessa divina semente receberá essa maturidade. Deus não desiste de nós. A perseverança dos santos é uma contínua e eficaz obra de Deus em todos aqueles que nasceram de novo através de divina semente. A maturidade não procede de idade cronológica nem de posições eclesiásticas. Uma criança pode ser um fruto maduro. Jesus usou uma criança como símbolo daqueles que estão aptos a entrar no Reino (Mt 18.3). A morte de uma criança ou de uma pessoa jovem não deve ser vista como uma tragédia, mas como a entrada de um filho na glória. Isso não é o fim, mas o começo de uma vida eterna e gloriosa. Quando o fruto está maduro, ele é colhido pelo Senhor da seara.
Em Segundo lugar, a colheita final revela a vitória do Reino de Deus (4.29). Como semeadores, devemos ter paciência até a colheita. Tiago diz: “Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e últimas chuvas. Sede vós também pacientes, e fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5.7,8).
A Segunda vinda do Senhor Jesus será o dia mais glorioso da história. Ele virá com grande poder e majestade. Todo o olho o verá. Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que ele é Senhor. Todos os remidos receberão um corpo glorioso e reinarão com ele para sempre.
Somente Deus conhece o dia da colheita. Nós devemos semear até aquele dia glorioso. Nós temos a promessa de que o nosso trabalho no Senhor não é vão. A Palavra de Deus não volta para ele vazia. Devemos trabalhar e esperar a colheita final. Recebemos a ordem de semear, mas Deus detém o controle soberano sobre o crescimento. Quando, o fruto estiver maduro, então, virá a gloriosa ceifa. Adolf Pohl diz que entre nossa semeadura e uma colheita transbordante estão os milagres de Deus. Assombrados, balbuciaremos naquele grande dia: “Grandes coisas o Senhor tem feito” (Sl 126.2).
III. O PODER DA PALAVRA PARA CRESCER – v. 30-32
Se a parábola do semeador retrata a responsabilidade humana e a da semente a soberania de Deus, esta mostra o resultado, um crescimento abundante. Adolf Pohl diz essa parábola é um ápice, apesar de ser tão curta. Esta parábola revela o poder de crescimento extraordinário da Palavra. Ela aponta para o progresso do Reino de Deus no mundo. Duas verdades nos chamam a atenção:
1. O Reino de Deus começa pequeno como uma semente de mostarda – v. 31
A igreja, agente do Reino, começou pequena e fraca em seu berço. A semente de mostarda é um símbolo proverbial daquilo que é pequeno e insignificante. Era a menor semente das hortaliças (v. 31). Foi usada para representar uma fé pequena e fraca (Mt 17.20; Lc 17.6).
O Reino chegou com um bebê deitado numa manjedoura. Jesus nasceu em uma família pobre, numa pobre cidade e cresceu como um carpinteiro pobre, que não tinha onde reclinar a cabeça. Os apóstolos eram homens iletrados. O Messias foi entregue nas mãos dos homens, preso, torturado e crucificado entre dois criminosos. Seus próprios discípulos o abandonaram. A mensagem da cruz foi escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Em todas as coisas do Reino o mundo vê fraqueza. Aos olhos do mundo, o começo da igreja, reveste-se de consumada fraqueza.
2. Grandes resultados desenvolvem-se a partir de pequenos começos – v. 32
“Grandes rios surgem em pequenas nascentes de água; o carvalho forte e alto cresce a partir de uma pequena noz”. A Bíblia diz que não podemos desprezar o dia dos pequenos começos (Zc 4.10). A parábola do grão de mostarda é a história dos contrastes entre um começo insignificante e um desfecho surpreendente; entre o oculto hoje e o revelado no futuro. O Reino de Deus é como tal semente: seu tamanho atual e aparente insignificância não é de modo algum, indicadores de sua consumação, a qual abrangerá todo o universo, diz Dewey Mulholland.
A igreja cresceu a partir do Pentecostes de forma colossal. Aos milhares os corações iam se rendendo à mensagem do evangelho. Os corações duros eram quebrados. Doutores e analfabetos capitulavam-se diante do poder da Palavra. A igreja expandiu-se por toda a Ásia, África e Europa. O Império Romano com sua força não pode deter o crescimento da igreja. As fogueiras não puderam destruir o entusiasmo dos cristãos. As prisões não intimidaram os discípulos de Cristo que por todas as partes preferiam morrer a blasfemar. Os cristãos preferiam o martírio à apostasia.
A igreja continua ainda crescendo em todo o mundo. De todos os continentes aqueles que confessam o Senhor Jesus vão se juntando a essa grande família, a esse imenso rebanho, a essa incontável hoste de santos. O Reino de Deus é como uma pedra que quebra todos os outros reinos e enche toda a terra como as águas cobrem o mar.
Rev. Hernandes Dias Lopes.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A história de uma conversão

Referência: 2 Reis 5.1-19
SERMÃO EM 2 REIS 5.1-19
TEMA: A HISTÓRIA DE UMA CONVERSÃO
DATA: 20.11.05
INTRODUÇÃO
1. Naamã, um homem de projeção.
· Ele era comandante de Ban-Hadade, rei de Damasco, capital da Síria.
· Era o ministro da guerra. Homem corajoso. Forte. Guerreiro. Famoso.
· Naamã era um homem famoso, porém leproso.
· Ele tinha grande prestígio político, mas era espiritualmente cego.
· Ele era leproso, e ainda assim orgulhoso.
2. Naamã, um homem honrado – v. 1
a) Honra militar – “Naamã, comandante do exército do rei da Síria… era ele herói de guerra”. Ele era comandante em chefe das forças armadas da Síria. Ele era um herói nacional. Sua farda estava cheia de condecorações. Seu nome ocupava as manchetes dos jornais de Damasco. Ele o grande ídolo da nação. Era aplaudido nas praças. Seu nome era tema de canções populares. Estava no topo da fama e da glória pessoa. Tinha atingido o mais alto grau na carreira militar. Ele era o máximo.
b) Honra política – “Era grande homem diante do seu senhor”. Ocupava o primeiro escalão do governo. Era o braço direito do rei. O homem de maior prestígio no palácio. O homem forte da Síria. O responsável pelas vitórias militares e a mais estrela do seu país.
c) Honra popular – “E de muito conceito”. Naamã era um homem admirado, amado, aplaudido, de sucesso e total aprovação popular. O povo o tinha em alta conta. Ele era um vitorioso. Seu caminho era pontilhado de sucesso. O próprio Deus que ele não conhecia o abençoava em suas esplêndidas vitórias.
3. Naamã, um homem abençoado – v. 1
· “… porque por ele o Senhor dera vitória a Síria”. Naamã era um idólatra, mas Deus já o abençoava. Suas conquistas militares eram obra da providência divina. Deus já estava trabalhando na vida desse homem ainda que ele não soubesse disso.
· Vamos ver a história da conversão desse grande herói de guerra:
I. UM GRANDE SOFRIMENTO – V. 1
· “… Porém, leproso”.
1. O sofrimento da doença – v. 1
· Naamã tinha sucesso público, mas fracasso pessoal.
· Naamã era um vencedor, um herói, um grande homem em público, mas no recesso do seu lar, na intimidade, quando tira a armadura era um leproso.
· Talvez esse seja o retrato da sua vida: você também é um vencedor no seu trabalho, nos seus estudos, na sua empresa. Você é reconhecido. Tem diplomas, sucesso financeiro. É amado e prestigiado. Passou em todas as provas e concursos, mas você tem uma lepra dentro de você. Sua lepra não é física, é espiritual.
· A lepra tinha cinco características:
a) A lepra separa – O leproso tinha que ser tirado da família, da sociedade e jogado numa caverna ou numa aldeia de leprosos. O pecado separa você de Deus.
b) A lepra insensibiliza – A lepra deixa a pessoa insensível. Assim é o pecado. Ele endurece, cauteriza, calcifica a alma.
c) A lepra deforma – A lepra deixa marcas e deformidades. Ela mutila e deixa cicatrizes profundas. Assim é o pecado. Ele deixa marcas profundas na mente, na alma, no corpo.
d) A lepra contamina – A lepra é contagiosa. O pecado também contamina. Ele pega. Fuja de más influências, de lugares perigosos.
e) A lepra mata – A lepra era uma doença incurável. O pecado é uma doença mortal.
2. O sofrimento da duplicidade – v. 1
· Naamã era um herói de guerra lá fora, mas dentro de casa era um leproso. No recesso do lar, não podia abraçar sua esposa nem colocar seus filhos no colo. Lá fora um vencedor, em casa um doente derrotado.
· Talvez esta é sua situação. Tem fama de um homem de Deus, piedoso, de uma mulher de oração, de um jovem puro, mas dentro de seu lar, você é outra pessoa. Vive com máscara. Vive de aparência. Na igreja tem cara de gente santa, mas dentro de casa, na rua você vive alimentando seu coração de impureza. Lá fora um herói, dentro de casa, um leproso.
3. O sofrimento da impotência – 1
a) A medicina tem limitações (v. 7) – A lepra era como a própria morte, só Deus podia reverter a situação. O rei de Israel rasgou suas roupas porque sabia que nenhum recurso da medicina podia reverter àquela situação.
b) O dinheiro tem limitação (v. 5) – O dinheiro não compra tudo. O seu dinheiro pode lhe comprar remédio, mas não saúde. Pode lhe comprar uma casa nova, mas não um lar. Pode lhe dar conforto, mas não felicidade.
c) A política tem limitações (v. 5,7) – O poder político não resolve todos os problemas. O rei da Síria pensou que podia resolver o problema da lepra com uma canetada. A agenda de Deus não está nas mãos dos poderosos.
II. UM GRANDE EQUÍVOCO – V. 4-7
1. Pensar que Deus se submete à agenda dos poderosos – v. 5
· Naamã vai ao rei de Damasco. Este o manda com uma comitiva ao rei de Israel. Pensa que as obras de Deus podem ser resolvidas com uma canetada por aqueles que estão empoleirados no poder.
· Naamã tem grande prestígio político, mas é espiritualmente cego. Ela pensa que a fé é um negócio, um comércio. Ela pensa que a religião é uma questão de relações públicas e que a carta de um rei ao outro pode interferir na agenda de Deus.
· Naamã pensa que a carta do rei a outro rei vai lhe abrir o caminho da cura. Mas Deus não se submete ao decreto dos poderosos. Ele é livre.
· O rei de Israel rasga as suas roupas. Só Deus pode curar. Só Deus pode salvar.
2. Pensar que as bênçãos de Deus podem ser compradas com dinheiro – v. 5,15,16
· Naamã levou 350 Kg de prata, muito ouro e dez vestes festivais. Mas a graça de Deus não tem preço. A cura e a salvação não podem ser compradas com ouro ou prata.
· Eliseu não se impressionou com a riqueza da comitiva de Naamã. Depois que Naamã foi curado, ele não aceitou os presentes de Naamã. Salvação não é um negócio. A graça de Deus não é um produto. O evangelho não é uma mercadoria. A igreja não é uma empresa.
· O céu é de graça. As bênçãos de Deus não são vendidas. Os religiosos que comercializam o sagrado são filhos de Geazi e não discípulos de Eliseu.
3. Pensar que no Reino de Deus as glórias humanas podem nos colocar em posição especial – v. 9-12
· Naamã esperou que Eliseu saísse ao seu encontro com reverência, colocando tapete vermelho para ele pisar. Ele queria ser honrado. Ele estava acostumado a ser estrela. Ele não queria descer do seu pedestal.
· Mas Eliseu nem saiu de casa para recebê-lo. Mandou-lhe um recado. Não o bajulou. Naamã ficou furioso ao não ser recebido com pompas.
III. UM GRANDE TESTEMUNHO – V. 2,3
1. Uma menina escrava pode ser usada por Deus para a salvação do homem mais poderoso da Síria – v. 2,3
Ø Deus ama a todos, os poderosos, os reis, os ricos, os generais, os imperadores, os que estão no trono com o cetro do poder nas mãos.
Ø Naamã adorava o deus Hinon. Ele era um homem idólatra, pagão. Politicamente inimigo de Israel. Talvez hoje alguns pregadores dissessem para ele: 1) Você precisa primeiro queimar suas imagens de Hinon; 2) Você precisa fazer uma oração de renúncia e rejeitar os pactos que você fez.
Ø O milagre de Deus começou quando essa menina escrava se colocou nas mãos de Deus para testemunhar. Para isso, ele venceu três barreiras:
a) Barreira da distância – Ela estava desterrada, exilada em terra estrangeira, pagã, na casa de um idólatra, mas ali ela dá testemunho do seu Deus.
b) Barreira da discriminação – Aquela adolescente foi arrancada à força da casa de seus pais. Talvez seus pais haviam sido mortos ou eram escravos. Foi levada como coisa e não como pessoa. Era um objeto do seu patrão. Ela, porém, via-se a si mesma como uma embaixadora do céu.
c) Barreira da inimizade – Naamã era símbolo da maior ameaça para o seu povo. Mas ela era diferente de Jonas. Ela ama os próprios inimigos do seu povo e está pronta a abençoar a quem a humilhou.
2. Os servos de Naamã podem ser seus sábios conselheiros – v. 13
Ø Naamã não consegue entender a simplicidade da graça de Deus. Novamente são seus servos que o colocam de volta na estrada da cura.
Ø A ajuda de Naamã vem de fontes inesperadas: 1) uma menina escrava; 2) um profeta hebreu; 3) um rio barrento; 4) uma ordem simples.
IV. UM GRANDE MILAGRE – V. 10,13,14
1. Realizado sem espalhafato – V. 10
· Eliseu não convoca um coral para recepcionar Naamã e sua comitiva. Não põe tapete vermelho. Não coloca outdoor na cidade anunciando o dia de um grande milagre. Não põe no jornal de Samaria a visita do general da Síria que seria curado de lepra. Eliseu não faz propaganda do sobrenatural. Ele não toma o lugar de Deus.
· Naamã queria trombetas, uma cerimônia com ritos e pompas. Para ele tinha que ter espetáculo. Estava preso a rituais e lugares.
2. Realizado depois de se descer do pedestal do orgulho – V. 13
· Naamã para ser curado tinha que descer do seu pedestal. Antes de curar a lepra de Naamã, Deus queria curar o orgulho de Naamã. Só os humildes possuirão o Reino de Deus.
· A lepra de Naamã não estava apenas na sua pele, mas também no seu coração. Não só por fora, mas também por dentro. Não só na sua carne, mas também no seu espírito.
· Naamã tinha que depositar aos pés de Deus os seus títulos, seus diplomas, suas medalhas, seus troféus, suas insígnias, suas condecorações, suas façanhas e suas vitórias.
· A lepra apodrecia a carne de Naamã, ma não amolecia o seu coração. Por isso, ele precisa primeiro ser curado do seu orgulho.
3. Realizado depois de se reconhecer a feiúra do pecado – v. 14
· Quando Eliseu mandou Naamã mergulhar no Jordão sete vezes, ele estava dizendo que Naamã precisava tirar a armadura e mostra a sua lepra para todo mundo.
· Eliseu estava mostrando que não podemos ser curados sem admitir publicamente nossa doença, nossa lepra. Você precisa se desnudar, tirar a máscara.
· Você precisa pôr um ponto final na sua vida dupla e admitir que você depende desesperadamente da graça de Deus.
· NO Reino de Deus, os generais têm que se humilhar. O doutor tem que se arrepender. Os poderosos precisam se curvar.
4. Realizado depois de crer e obedecer ao que Deus manda – v. 14
· Se Naamã não tivesse mergulhado 7 vezes no Jordão, teria voltado leproso para a Síria.
· Não basta uma obediência parcial. Se ele tivesse mergulhado apenas 6 vezes, seria do Jordão ainda leproso.
· A fé obedece ao que Deus manda.
· Se você crer em Jesus, você será salvo. Quem tem a vida eterna (Is 1.18; Jo 5.24; At 16.31).
V. UMA GRANDE SALVAÇÃO – V. 14-19
1. Naamã foi completamente purificado – v. 14
· Ele sarou da sua lepra não porque a água do Jordão fosse milagrosa, mas porque se humilhou e obedeceu à Palavra de Deus.
· Sua carne ficou limpa. Sua pele restaurada. Também, quando você crê em Jesus, a sua cura é imediata. Você pode voltar para casa limpo hoje. Você pode voltar curado, liberto, perdoado. Hoje Deus pode limpar a sua carne, a sua mente, o seu coração, as suas memórias. Hoje você pode ficar livre da sua lepra!
2. Naamã rendeu-se ao único Deus vivo e verdadeiro – v. 15
· Naamã desiste de suas crenças pagãs. Ele abriu mão de suas convicções religiosas para render-se ao Deus todo poderoso. Não há salvação fora de Jesus. Você precisa se curvar diante do Senhor Jesus. Só há salvação nele. Só há perdão nele. Só ele é o caminho, a porta.
3. Naamã tomou a decisão de mudar radicalmente de vida – v. 17
· Naamã tem uma experiência profunda de conversão. Sua vida é transformada. Hoje é tempo de você deixar os ídolos, o orgulho.
· Quem é convertido, demonstra gratidão
· Quem é convertido, torna-se um adorador!
· Quem é convertido muda o ponto nevrálgico da vida – A maior lepra de Naamã era o orgulho (v. 11,12). Agora, ele revela humildade (v. 17). Exemplo: Zaqueu.
· Quem é convertido passa por uma mudança radical – Naamã disse: “Nunca mais”. Hoje pode ser um divisor de águas na sua vida. É hora de nascer de novo. Ser nova criatura. Enterrar o seu passado no Jordão de Deus, sair de lá limpo. O sangue de Jesus pode purificar você de todo o pecado.
CONCLUSÃO
· Naamã chegou leproso e voltou curado.
· Naamã chegou perdido e voltou salvo.
· Naamã chegou idólatra e voltou adorando ao Deus vivo.
· Hoje, Deus quer fazer esse milagre em sua vida.
Rev. Hernandes Dias Lopes.