Referência: Malaquias 3.6-12
INTRODUÇÃO
1. Uma audiência conciliatória
No parágrafo anterior, o povo colocou Deus no banco dos réus. Agora,
Deus é quem está chamando o povo para um tempo de restauração.
A reconciliação é obra de Deus. Tudo começa com ele.
2. Os termos da conciliação
O Deus da aliança, chama seu povo amado, porém, muitas vezes, rebelde
para uma volta que toca o coração e bolso. Uma volta espiritual e uma
volta que tange o aspecto financeiro.
Quem converte o coração, também converte o bolso.
3. A necessidade da conciliação
Se o povo voltar-se para Deus, ele se voltará para o povo. O pecado
faz separação. Se o povo for fiel na devolução dos dízimos, em vez de
maldição, o povo terá as janelas dos céus abertas. A escola é entre
bênção e maldição.
I. A RESTAURAÇÃO ESTÁ FUNDAMENTADA NO CARÁTER IMUTÁVEL DE DEUS – v. 6
1. Deus é imutável em seu ser
Deus é o mesmo sempre. Ele não tem começo nem fim. Ele é o mesmo
ontem, hoje e o será para sempre. Nele não há sombra de variação.
Deus não tem picos de crise. Seu amor por nós não passa por baixas.
2. Deus é imutável em relação à sua aliança conosco
Deus é leal ao compromisso que assume.
Embora, como filhos de Jacó, parecemos com ele, somos inconstantes,
Deus permanece fiel. Mesmo quando somos infiéis, Deus permanece fiel (2
Tm 2:13). Ele prometeu ser o nosso Deus para sempre. Ele prometeu nunca
nos abandonar. Ele nos disciplina, ele nos corrige, mas jamais vai nos
destruir.
3. A imutabilidade de Deus é a nossa segurança
A causa de não sermos destruídos é a imutabilidade divina. Se Deus
nos tratasse segundos os nossos pecados, estaríamos arruinados.
II. A RESTAURAÇÃO ESTÁ DISPONÍVEL MEDIANTE UM CONVITE GRACIOSO DE DEUS – v. 7
1. A paciência perseverante do restaurador
“Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes”.
A geração de Malaquias estava no mesmo curso de desvio e
desobediência dos seus pais. Mas Deus não desiste do seu povo. Deus não
abre mão do seu povo. Ele o chama à restauração apesar de tantos anos de
apostasia e rebeldia.
2. O profundo anseio do restaurador
“tornai-vos para mim…”.
Deus não quer apenas uma volta a determinados ritos sagrados, à uma
religiosidade formal. Ele quer comunhão. Ele quer relacionamento.
Tornai-vos para mim. O cristianismo é uma pessoa. É um relacionamento
vivo com o Deus vivo.
3. A dinâmica relacional do restaurador
“e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos”.
Quando nos voltamos para Deus, o Deus da aliança, encontramos sempre
os seus braços abertos, o beijo do perdão, e a festa da reconciliação.
Deus procura adoradores e não adoração. Deus quer a nós, mais do que o nosso culto, o nosso serviço.
Antes de Deus requerer o dízimo, ele requer o coração. Antes de Deus
ordenar para trazer os dízimos, Deus ordena para trazer a vida.
4. A insensibilidade espiritual dos que são chamados à restauração
“mas vós dizeis: em que havemos de tornar?”
Pior do que o pecado, é a insensibilidade a ele. Pior do que a
transgressão, é a falta de consciência dela. A cauterização, o
anestesiamento da consciência é um estágio mais avançado da decadência
espiritual.
III. A RESTAURAÇÃO PASSA PELA FIDELIDADE NA DEVOLUÇÃO DOS DÍZIMOS – v. 8-10
1. O dízimo é um princípio estabelecido pelo próprio Deus
A palavra dízimo significa 10%.
O dízimo não é invenção da igreja, é princípio perpétuo estabelecido
por Deus. O dízimo não é dar dinheiro à igreja, é ato de adoração ao
Senhor.
O dízimo não é opcional, é mandamento; não é oferta, é dívida; não é sobra, é primícia.
O dízimo é ensinado em toda a Bíblia: antes da lei (Gn 14.20), na lei
(Lv 27.30), nos livros históricos (Ne 12.44), poéticos (Pv 3.9,10),
proféticos (Ml 3.8-12) e também no Novo Testamento (Mt 23.23; Hb 7.8).
2. Desculpas descabidas quanto a dízimo
a) Justificativa teológica – O dízimo é da lei. Sim, o dízimo é da
lei, é antes da lei e depois da lei. Ele existiu no sacerdócio de
Melquisedeque, no sacerdócio levítico e no sacerdócio de Cristo. A graça
vai sempre além da lei (Mt 23.23). Se a lei nos isenta do dízimo,
então, também nos isenta da justiça, misericórdia e fé.
b) Justificativa financeira – “O que eu ganho não sobra”. Dízimo não é
sobra, é primícia. Deus não é Deus de sobra, de resto. “Honra ao Senhor
com as primícias da tua renda…” (Pv 3.9). Se não formos fiéis, Deus não
deixa sobrar. Ageu diz que o infiel recebe salário e o coloca num saco
furado. Vaza tudo. Foge entre os dedos (Ag 1.6).
c) Justificativa matemática – “Eu não entrego o dízimo, porque tem
crente que não é dizimista que prospera e tem crente dizimista pobre”.
Dízimo não é barganha. Se o seu coração está no dinheiro, você ainda
precisa ser convertido.
d) Justificativa sentimental – “Eu não sinto que devo entregar o
dízimo”. O crente vive pela fé e fé na Palavra. Não posso chegar diante
do gerente e dizer que não sinto vontade de pagar a dívida no banco.
e) Justificativa da consciência – “Eu não sou dizimista, mas dou
oferta”. Dízimo é dívida, oferta é presente. Primeiro você paga a
dívida, depois você dá presente.
f) Justificativa política – “A igreja não administra bem o dízimo”.
Deus mandou que eu trouxesse todos os dízimos, mas não me nomeou fiscal
do dízimo. Eu não sou juiz. Minha obediência não é condicional. Quem
administra o dízimo vai prestar contas a Deus.
3. Pecados graves quanto ao dízimo
a) Reter o dízimo (v.8) – Eles estavam roubando a Deus: 1) trazendo
ofertas indignas (1:13); 2) oprimindo os pobres (3:5); 3) retendo os
dízimos (3:8). A palavra roubar = tomar à força. Significa um assalto
intencional, planejado, ostensivo. A única vez que esse verbo aparece
novamente é em Provérbios 22:23 para descrever o despojamento do pobre.
Reter o dízimo santo ao Senhor é uma insensatez. Tentar defraudar a Deus
é defraudar a si mesmo. 1) Tudo que temos pertence a Deus – nossa vida,
família e bens; 2) Deus é o criador, provedor e protetor; 3) Reter o
dízimo é colocar o salário num saco furado; 4) Reter mais do que é justo
é pura perda; 5) Reter o dízimo é amar o dinheiro; 6) Reter o dízimo é
desconfiar da providência; 7) Reter o dízimo é roubar a Deus; 8) Reter o
dízimo é desamparar a casa de Deus. Leia Dt 26:14.
b) Subtrair o dízimo (v.10) – A Bíblia ordena: “Trazei TODOS os
dízimos”. Deus viu Ananias e Safira escondendo parte da oferta e os
puniu por isso. Podemos nós enganar àquele que tudo vê? O dízimo é
sustento da Casa de Deus. Os levitas e os sacerdotes viviam dos dízimos.
Os pobres eram amparados com os dízimos (Dt 14:28).
c) Administrar o dízimo (v. 10) – A Bíblia ensina: “Trazei todos os
dízimos à CASA DO TESOURO”. Não temos o direito de mudar uma ordem do
Senhor (Dt 12:11). Não somos chamados a administrar o dízimo nem sermos
juizes dele, mas a devolvê-lo ao seu dono. Exemplo: Tem gente que
frequenta uma igreja e entrega o dízimo noutra: como no Bob’s e paga no
McDonalds.
d) Subestimar o dízimo (v.8) – Eles perguntavam: “Em que te
roubamos?” Eles pensavam que o dízimo era um assunto lateral, sem
importância.
4. Perigos sérios quanto à negligência do dízimo
a) Maldição divina (v.9) – “Com maldição sois amaldiçoados” (Ml 3:9).
A desobediência sempre desemboca em maldição. Insurgir-se contra Deus e
violar as suas leis traz maldição inevitável. Deus é santo e não premia
a infidelidade. Ele vela pela sua Palavra para a cumprir. Deus é fogo
consumidor e terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. É tempo da
igreja arrepender-se do seu pecado de infidelidade quanto ao dízimo.
Sonegar o dízimo é desamparar a casa de Deus. Sonegar o dízimo é deixar
de ser cooperador com Deus na implantação do seu Reino.
b) Devastação do devorador (v.11) – “Por vossa causa repreenderei o
devorador”. O devorador pode ser tudo aquilo que subtrai nossos bens,
que conspira contra o nosso orçamento e que mina as nossas finanças. O
profeta Ageu alertou sobre as conseqüências da infidelidade, dizendo que
é o mesmo que receber salário e colocá-lo num saco furado (Ag 1.6).
Quando retemos fraudulentamente o que é de Deus, o devorador come o que
deveríamos entregar no altar do Senhor.
IV. A RESTAURAÇÃO TRAZ BÊNÇÃOS SINGULARES DE DEUS – v. 10-12
1. Janelas abertas do céu – v. 10
É lá do alto que procede toda boa dádiva. Deus promete derramar sobre
os fiéis torrentes caudalosas das suas bênçãos. É bênção sem medida. É
abundância. É fartura. Mais vale 90% com a bênção do Senhor do que 100%
sob a sua maldição.
Janelas abertas falam não apenas de bênçãos materiais, mas de toda sorte de bênção espiritual.
Evitar dois extremos: a teolgia da prosperidade e a teologia da miséria.
2. Bênção sem medida – v. 10
A bênção de Deus enriquece e com ela não traz desgosto. A Bíblia diz
que o plantamos, isso também colhemos. Mas colhemos sempre mais do que
plantamos. “Quem semeia com fartura, com abundância ceifará”.
A promessa de Deus é: “Daí e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada,
sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida
com que tiverdes medido vos medirão também” (Lc 6:38).
Deus promete literalmente fazer prosperar a quem dá com liberalidade
(2 Co 9:6-11): “A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescentam mais e
mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda. A alma
generosa prosperará, e quem dá a beber será dessedentado” (Pv 11:24,25).
3. O devorador repreendido – v. 12
Deus não age apenas ativamente derramando bênçãos extraordinárias,
mas também inibe, proíbe e impede a ação do devorador na vida daqueles
que lhe são fiéis.
Alguém, talvez, possa objetar dizendo que há muitos crentes não
dizimistas que são prósperos financeiramente, enquanto há dizimistas que
enfrentam dificuldades econômicas. Contudo a riqueza sem fidelidade
pode ser maldição e não bênção. Também, as bênçãos decorrentes da
obediência não são apenas materiais, mas toda sorte de bênção espiritual
em Cristo Jesus.
O apóstolo Paulo diz que grande fonte de lucro é a piedade com
contentamento, enquanto afirma que os que querem ficar ricos caem em
tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e
perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição (1 Tm 6.6,9).
A maldição do devorador se quebra enfiando a mão no bolso e devolvendo a Deus o que lhe é santo.
4. Uma vida feliz – v. 12
Há grande alegria na obediência a Deus. Quando a igreja é fiel, a
casa de Deus é suprida, a obra de Deus cresce, o testemunho da igreja
resplandece, os povos conhecem ao Senhor e a glória de Deus resplandece
entre as nações.
CONCLUSÃO
1. Deus chama o seu povo a fazer uma prova dele
O Senhor nos exorta a fazer prova dele quanto a esta matéria (Ml
3.10). Deus não quer obediência cega, mas fidelidade com entendimento. O
que você vai escolher: bênção ou maldição?
Se o povo de Deus trouxer os dízimos à Casa do Tesouro na terra, Deus abrirá os seus tesouros no céu.
2. Deus propõe ao seu povo a bênção ou a maldição
Que caminho vamos escolher? Que decisão tomar? Ele nos exorta a escolher o caminho da bênção, da vida!
Hernades Dias Lopes.
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