Referência: II REIS 4.38-41
EXÓRDIO:
Aquela era uma época de grande fome na terra (II Re 8.1; 6.24-30). O
povo andava inquieto. As pessoas andavam desesperadas, sôfregas,
procurando alimento por toda parte. Estavam prontas a comer qualquer
coisas que lhes acalmasse a fome. A cabeça de um jumento era vendida por
80 ciclos de prata.
Foi nesse tempo que Eliseu estava palestrando no seminário, para os
discípulos dos profetas. Embora houvesse escassez de pão na terra, havia
abundante pão do céu.
Eliseu manda fazer um cozinhado. Mas o homem que saiu ao campo a
procurar ervas, trouxe veneno em vez de alimento. E quando todos já
estavam se fartando da refeição, soou o grito: “Morte na panela ó homem
de Deus.” A morte espiritual principia no prato onde comemos.
Queremos extrair algumas lições para a nossa reflexão:
I. A MORTE NA PANELA PODE EXISTIR DENTRO DE UMA ESTRUTURA SÓLIDA E ORGANIZADA
1. Havia ensino religioso
Aqui, estão os estudantes de teologia, no seminário de Eliseu, na Escola
de Profetas. Estão diante de um grande professor. Um homem de poder. Um
santo homem de Deus. Um homem que jamais negociou seus absolutos nem
mercadejou seu ministério. Nesse tempo é que houve esse dramático
clamor: “Morte na panela ó homem de Deus.”
2. Havia comunhão religiosa
A fome, a pobreza, a crise, longe de quebrar a comunhão dos filhos dos
profetas, os estreitou ainda mais. Eles estavam juntos na crise. Mas
numa comunidade onde reina comunhão pode existir “morte na panela.”
3. Havia liderança forte e ungida
Eliseu era um profeta de grande destaque em Israel. Era um santo homem
de Deus, em quem repousava o Espírito do Senhor. Um homem poderoso em
obras e instrumento valioso para a realização de estupendos milagres.
Mas mesmo neste contexto havia morte na panela.
II. A MORTE NA PANELA É UMA REALIDADE DOLOROSA NA VIDA DA IGREJA
Muitos estão buscando alimento. Os homens estão como ovelhas
inquietas, famintas e sem o cuidado do pastor. Estão buscando pastos
verdes. E quando encontram novidades, logo as abraçam com sofreguidão.
“Então saiu ao campo para apanhar ervas, e achou uma trepadeira
silvestre…”.
A trepadeira é viçosa, é luxuriante, é frondosa, deve dar fruto bom. Há
muitas coisas, muitos ensinos que são arrojados, desafiadores, bonitos,
impactantes, mas não são bíblicos, são venenosos.
1. O fruto venenoso
Os discípulos dos profetas comeram veneno pensando estar se alimentando
de coisa boa. Acharam parecidos. O joio é parecido com o trigo. Mas um é
veneno, o outro é alimento. Vemos nesse fato, duas lições:
a) O perigo de ser enganado pelas aparências =
Às vezes. As coisas não são o que parecem ser. Os erros mais perigosos
são aqueles que parecem com a verdade. A meia verdade é mais perigosa
que a mentira, pois se torna mais sutil, menos perceptível, por isso
mais penetrante. Normalmente, as seitas como Testemunhas de Jeová,
Mórmons e Adventistas têm muito ensino bíblico em sua doutrina, têm
muita coisa boa, certa, verdadeira. Mas nem tudo é verdade, há veneno no
meio do alimento, há morte na panela. Há negação e distorção de
verdades essenciais do cristianismo. O todo do Evangelho fica
comprometido. A sã doutrina é solapada. A pureza do Evangelho é diluída
num caldo mortífero de heresias que grassam no conjunto doutrinário
dessas seitas.
Precisamos exercer discernimento (Hb 5.14). Não podemos comer todo
alimento que se serve em nome de Deus. Existem muitas pregações
fantásticas, ensinos arrebatadores que mexem com as emoções e sacodem
com as estruturas da vida humana que estão contaminadas por veneno
perigoso.
O diabo gosta de citar a Bíblia. Ele citou a Bíblia para Jesus no
deserto. Mas o diabo usa a Bíblia contra a Bíblia. Ele usa a Bíblia para
tentar. Ele cita a Bíblia fora do contexto, por pretexto. Ele cita a
Bíblia pelas metades, torcendo o seu sentido. Assim, nem toda pessoa que
anda com a Bíblia, prega a Bíblia. A Bíblia na mão do diabo não é
Palavra de Deus, é palavra do diabo, é tentação (Mt 4.1-10).
Exemplo: A TEOLOGIA DO DOMÍNIO
Muitos pregadores estão hoje levando os crentes a afirmarem: O BRASIL
É DO SENHOR JESUS. POVO DE DEUS DECLARE ISTO. Não é através de uma
declaração ou de uma frase mágica que nós vamos ver a transformação
moral e espiritual do nosso país, mas através da pregação do Evangelho.
A verdade hoje está sendo atacada não apenas nas ruas, mas nos
púlpitos, nos livros, nas conferências. Muitos pensam que o crescimento
numérico das igrejas é o único referencial da bênção de Deus. Mas esse
não pode ser o ponto nevrálgico, pois também os Muçulmanos, os budistas e
os espíritas crescem. Nem tudo o que cresce é de Deus. Em João 6, a
multidão ao ouvir um duro discurso de Jesus, o deixou e não mais o
seguiu.
b) As nossas melhores intenções não transformam a natureza do alimento que recebemos
Muitas pessoas hoje pregam heresias e depois dizem: esta não foi a minha intenção. Exemplo: A mulher que bebeu sulfito de bário.
Minha intenção não altera a qualidade do alimento que recebo.
A sinceridade não nos isenta das conseqüências das nossas ações.
O fato de você não saber que um alimento é venenoso, não o torna saudável.
EXEMPLO:
- Confissão positiva de Kenneth Hagin ou Teologia da Prosperidade = Esta
teologia diz que todo crente deve viver endinheirado, morar em mansão,
desfilar em carrões, jamais ficar doente e possuir a natureza divina.
Esse teologia gera frustração, decepção. Essa visão não tem base
bíblica. Isso é uma heresia. O apóstolo Pedro disse para o paralítico
que jazia à porta do templo: “Não tenho ouro e nem prata…”. Homens
santos de Deus foram acometidos de graves enfermidades ou sofreram
profundamente como João Calvino, David Brainerd, Robert McKeyne, Charles
Haddon Spurgeon, Ashbel Green Simonton. Outros hoje, enfrentam uma
outra decepção: a de ser declarado curado pelos pregadores em nome de
Deus e continuarem convivendo com o drama da enfermidade. Estes
pregadores oferecem um consolo vazio. Prometem as pessoas aquilo que
Deus não promete. Dizem em nome de Deus o que Deus não está falando.
Torcem, inventam, mentem em nome de Deus. E quando as pessoas frustradas
e decepcionadas se chocam com a dramática realidade de que não estão
curadas, recebem ainda um outro fardo: você não foi curado, porque você
está em pecado ou porque você não tem fé. Esses pregoeiros estudaram na
escola dos amigos de Jó. São consoladores que em vez de trazer alívio
atam fardos pesados sobre as pessoas, que falam em nome de Deus o que
Deus não lhes disse e prometem em nome de Deus o que o Senhor nunca
prometeu. Eles furtam as palavras de Deus ao povo.
- O abuso dos milagres
a) Marcar o culto dos milagres = Não há base bíblica para isto. Não
somos donos da agenda de Deus. Muitos desses milagres são prometidos e
nunca se cumprem. Outros são forjados para sugestionar o auditório.
Exemplo: Mauro – Você está curado da AIDS. Ele morreu depois de um mês
em terrível desespero e revolta.
b) Sensacionalismo = O sopro de Benny Hinn – jogar paletó. Tudo aquilo
que não tem base bíblica devemos rejeitar. Precisamos passar tudo pelo
crivo das Escrituras. Devemos ser como os crentes bereanos. O único
exemplo de soprar no VT é de Deus (Gn 2.7) no NT é de Jesus (Jo 20.11).
c) A prática de cair no espírito = Martyn Lloid-Jones fala sobre a
diferença de cair pelo poder do Espírito e cair por uma histeria carnal.
Se uma pessoa cai e levanta do mesmo jeito, sua vida não mudou, seu
caráter não foi transformado, então esse fenômeno não passou de uma
histeria carnal, de uma encenação teatral. Mas se a pessoa cai, chora,
se quebranta e levanta transformada, então isso é obra do Espírito,
porque histeria carnal não transforma ninguém.
d) A unção do riso = A bênção de Toronto. A gargalhada sagrada. A
congregação toda rindo descontroladamente, mesmo diante de situações
extremamente graves.
e) Falcatruas = Milagres eletrônicos. Petter Poppoff apontava as pessoas
mencionando seus nomes, problemas, doenças – dados passados pela
esposa. Em 1986 a máscara caiu. Havia um pequeno aparelho no seu ouvido
de onde recebia as informações da esposa.
2. A oportuna descoberta
2.1. Um ingrediente venenoso destrói o valor de todo o alimento
A) O Exagero na Batalha Espiritual
- Pessoas que vêem demônio em tudo. Não chegam em uma casa sem exorcizarem os demônios que estão dentro de casa, na igreja
- Pessoas que confundem demônio com obras da carne = demônio da avareza,
da prostituição, da mentira, da morte (DEMÔNIOS DERROTADOS)
- Pessoas que vivem amarrando demônios em vez de pregar a Palavra do Evangelho libertador.
- Pessoas que vivem dando nome de demônios que a Bíblia não revela, por
revelação do próprio diabo que é o pai da mentira (PORCOS NA SALA).
- Pessoas expulsando demônios de crentes nascido de novo. O que
aconteceu com a conversão? Pastor, missionário, presbítero, líder de
denominação pode ficar possesso, mas crente nascido de novo não pode.
- Pessoas pregando sobre espíritos territoriais (descobrir o demônio
controlador da cidade) = Dizem que o nome da cidade revela sua história
espiritual. Se assim fosse Vitória e Salvador não teriam problemas
espirituais.
B) O Exagero na Oferta Bíblica
- A oferta é bíblico, mas há igrejas hoje mercadejando o Evangelho.
Comercializam a fé. Arrancam o dinheiro do povo sem escrúpulo. Elaboram
mecanismos eivados de misticismo pagão como óleo ungido, rosa ungida,
lenço ungido, água fluidificada, para tirar dinheiro dos incautos.
- O desempenho de muitos pastores e igrejas é medido pela quantidade de dinheiro que se arrecada.
- Nessas igrejas os meios estão confusos com os fins. A igreja cresce
para arrecadar mais dinheiro ou se arrecada mais dinheiro para a igreja
crescer.
- Estamos vendo novamente a famigerada doutrina da Idade Média das
indulgências, só que agora no meio evangélico. A bênção é comprada.
Quando mais dá, mais bênção.
C) O Exagero na Cura Divina
- A cura divina é bíblico, mas hoje se prega que toda doença vem do maligno.
- Prega-se hoje que o crente não pode ficar doente. Não ser curado é falta de fé ou pecado.
- A vontade de Deus é sempre curar. A doença precisa ser repreendida como se repreende um espírito maligno.
- Existe hoje muito embuste e muita frustração nesse campo. Muitas
pessoas deixaram de tomar os remédios por causa de uma promessa segura
de cura e depois de perceberem que não estavam curadas ficaram
decepcionadas com Deus. Mas esses profetas da cura não foram enviados
por Deus, não falaram em nome de Deus, eles usaram o nome de Deus, mas
Deus não tem compromisso com eles.
D) O Exagero na doutrina da bênção e maldição
- Tiram o caminho da santificação para o caminho da quebra de maldição = pornografia, adultério e depressão.
- Doença hereditária ou maldição herdada = João 9, II Coríntios 5.17.
- A Bíblia fala de homens piedosos tendo filhos rebeldes Ex. Josafá – Jeorão; Ezequias-Manassés.
- A Bíblia fala de homens ímpios tendo filhos santos . Ex. Abias – Asa; Jotão – Acaz
- Há aqueles que falam sobre a maldição de nomes próprios, como se o
nome em si já acarretasse maldição. Isso não tem base bíblica. Vejamos:
Absalão = Pai da paz; Daniel e seus três amigos tiveram nomes mudados
para nomes pagãos; Judas = louvor; Bar Jesus = Filho de Jesus – era
mágico; Apolo = destruidor – mas ele era poderoso nas Escrituras.
E) O Exagero na questão dos dons
- Hoje há uma super ênfase na questão dos dons, como elemento comprovador de uma vida piedosa e poderosa.
- Carisma sem caráter. Pessoas sendo guiadas por visões, revelações, sonhos sem o referencial da Palavra de Deus.
2.2. É preciso identificar a morte na panela em tempo oportuno “…e não puderam comer…”
- I Co 14.39 = … os outros julguem
- I Jo 4.1 = Provai os espíritos
- I Tm 4.1 = doutrinas de demônios
- Jesus não só pregou a verdade, mas denunciou o erro = caldo mortífero do legalismo.
- Paulo denunciou as doutrinas falsas = judaísmo, gnosticismo,
liberalismo = viver no pecado para que a graça seja mais abundante;
misticismo = água do Jordão, rosa ungida, copo de água sobre o rádio e a
televisão.
III. A MORTE NA PANELA É CURADA
1. A cura pela árvore cortada
2. A cura pelo sal
3. A cura pela farinha = Palavra no poder do Espírito Santo
- A morte é afastada quando colocamos na Panela a genuína Palavra de Deus. Prega a Palavra, só a Palavra. Toda a Palavra.
- Hoje muitas igrejas não querem doutrina – só querem experiência.
Querem jogar seus catecismos e confissões de fé no caixote de lixo.
- Somos filhos da Reforma; SOLA SCRIPTURA. Temos que ser crentes
bereanos, examinando tudo que lemos e ouvimos pelo crivo das Escrituras.
- É tempo de buscarmos um avivamento que tenha a Bíblia como centro,
como aconteceu no Avivamento apostólico e nos outros grandes avivamentos
ao longo da história. Que seja assim. Amém!
Rev. Hernandes Dias Lopes.
www.cristoestanaminhavida.blogspot.com
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