Referência:
Mateus 5.1-3
INTRODUÇÃO
1. Jesus,
o maior pregador
Este
texto abre o que nós chamamos do maior sermão da história, o sermão do monte.
Jesus é o maior pregador de todos os tempos. Ele é a própria Palavra encarnada.
Ele é a verdade. Suas palavras são oráculos; suas obras, milagres; sua vida,
modelo; sua morte, um sacrifício. Enquanto nós não podemos conhecer todas as
faces dos ouvintes, ele conhece o coração de todos os homens.
2. Jesus,
o maior pregador prega sobre a verdadeira felicidade
a) O
cristianismo é a religião do prazer e da felicidade
O homem é
um ser obsecado pelo prazer. O hedonismo, a filosofia que ensina que o prazer é
o fim último do ser humano parece reger a humanidade. A grande questão é onde
está esse prazer: nas coisas externas? No dinheiro? No sucesso? Na cultura? No
sexo? Na diversão? Nas viagens psicodélicas?
Salomão
buscou a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama e viu que tudo era
vaidade (Eclesiastes 2:1-10).
John
Piper disse que o problema não é a busca do prazer, mas o contentamento com um
prazer terreno, carnal, raso, passageiro. Deus nos criou para o prazer. A busca
da felicidade é legítima. O verdadeiro prazer está em Deus. O fim principal do
homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Agostinho
disse: “Senhor, tu nos criaste para ti e a nossa alma não encontrará descanso
até se repousar em ti”.
I. A
VERDADEIRA FELICIDADE É UM GRANDE PARADOXO AOS OLHOS DO MUNDO
1. A
verdadeira felicidade é abraçar o que o mundo repudia e repudiar o que o mundo
aplaude
Jesus diz
que feliz é o pobre, o que chora, o manso, o puro, o perseguido.
Jesus diz
que bem-aventurado é o pobre de espírito e não a pessoa autosuficiente,
arrogante, soberba.
Jesus diz
que bem-aventurado é o que chora e não aquele que é durão, insensível.
Jesus diz
que bem-aventurado é o manso, o que abre mão dos seus direitos e não o valente,
o brigão.
Jesus diz
que bem-aventurado é o pacificador, aquele que não apenas evita contendas, mas
busca apaziguar os ânimos exaltados.
Jesus diz
que bem-aventurado é o puro de coração e não aqueles que se banqueteam com
todos os prazeres do mundo.
Jesus diz
que bem-aventurado é o perseguido por causa da justiça e não aquele que procura
levar vantagem em tudo.
Jesus diz
que quem ganha a sua vida, a perde; mas o que a perde, esse é o que a ganha.
Jesus diz
que o humilde é que será exaltado.
2. A
verdadeira felicidade não está nas coisas externas, mas nas coisas internas
Jesus não
disse que bem-aventurados são os ricos. Essa felicidade não está centrada em
coisas externas. As riquezas não satisfazem. Deus colocou a eternidade no
coração do homem. Nem todo o ouro da terra poderia preencher o vazio da nossa
alma.
A
verdadeira felcidade está centrada não na posse das bênçãos, mas na fruição da
intimidade com o abençoador. Para alcançar a felicidade, não basta posse, mas
fruição. Um homem pode morar num palácio e não se deleitar nele. Ele pode ter o
domínio de um reino e não ter paz na alma. “Feliz é a nação cujo Deus é o
Senhor” (Sl 144:15). Deus é o descanso da alma (Sl 116:7).
A
verdadeira felicidade é deleitar-se em Deus, é alegrar-se com o sorriso de
Deus, é beber dos rios de seus prazeres (Sl 36:8).
A verdadeira
felicidade consiste em desfrutar da plenitude de Deus: ele é sol, escudo,
herança, fonte, rocha, alegria, esperança.
A
verdadeira felicidade consiste em tomar posse da bem-aventurança agora e na
eternidade.
3. A
verdadeira felicidade não é uma promessa para o futuro, mas uma realidade para
o presente
Jesus não
disse: Bem-aventurados serão os pobres de espírito, mas bem-aventurados são. Os
crentes não serão felizes quando chegarem ao céu, eles são felizes agora. Os
crentes são felizes antes mesmo de serem coroados. Eles são felizes não apenas
na glória, mas a caminho da glória.
II. A
VERDADEIRA FELICIDADE ESTÁ FUNDAMENTADA NO SER E NÃO NO TER
1. O que
ser pobre de espírito não significa
a) Não
significa pobreza financeira – Francisco de Assis foi o patrono daqueles que
pensaram que renunciar as riquezas financeiras para viver na pobreza ou num
monastério dava crédito ao homem diante de Deus. Mas a pobreza em si não é um
bem, como a riqueza em si não é um mal. Uma pessoa pode ser pobre
financeiramente e não ser pobre de espírito. A pobreza financeira pode ser
fruto da obra do diabo, da exploração, da ganância e da preguiça.
b) Não
significa ter uma vida espiritual pobre – Jesus não está elogiando aqueles que
são espiritualmente pobres, descuidados com a vida espiritual. Ser pobre em
santidade, verdade, fé e amor é uma grande tragédia. Jesus condenou a igreja de
Laodicéia: “Sei que tu és pobre, miserável, cego e nu” (Ap 3:17).
c) Não
significa pobreza de auto-estima – Jesus não está falando que as pessoas que
pensam menos de si mesmas são felizes. Auto-estima baixa não é um bem, mas um
mal.
d) Não
significa timidez ou fraqueza – Essas características não são virtudes, senão
males que devem ser combatidos.
2. O que significa
ser pobre de espírito
a) Ser
pobre de espírito é a base para as outras virtudes – A primeira bem-aventurança
é o primeiro degrau da escada. Se Jesus começasse com a pureza de coração, não
haveria esperança para nós. Primeiro precisamos estar vazios, para depois
sermos cheios. Não podemos ser cheios de Deus, enquanto não formos esvaziados
de nós mesmos. Esta virtude é a raiz, as outras são os frutos. Uma pessoa não
pode chorar pelos seus pecados até saber que não tem méritos diante de Deus.
Ele jamais sentirá fome e sede de justiça a não ser que saiba que carece
totalmente da graça.
b) Ser
pobre de espírito é reconhecer nossa total dependência de Deus – No grego há
duas palavras para designar “pobreza”. Penês = é o homem que tem que trabalhar
para ganhar a vida, é aquele que não tem nada que lhe sobre. É o homem que não
é rico, mas que também não padece necessidades. Ele não possui o supérfluo, mas
tem o básico. Ptokós = descreve a pobreza absoluta e total daquele que está
afundado na miséria. É o mendigo, o extremamente necessitado. Aquele que não
tem nada. Esta é a palavra que Jesus usou. Feliz é o homem que reconhece sua
total carência e coloca a sua confiança em Deus. Feliz é o homem que reconhece
que o dinheiro, o poder e a força não significam nada, mas Deus significa tudo.
O poeta expressou bem o pobre de espírito:
Nada em
minhas mãos eu trago,
Simplesmente
à tua cruz me apego;
Nu,
espero que me vistas
Desamparado,
aguardo a tua graça;
Mau, à
tua fonte corro,
Salva-me,
Salvador, ou morro.
Ser pobre
de espírito é agir como o publicano: “Senhor, compadece-te de mim, um pecado”.
João Calvino disse: “Só aquele que, em si mesmo, foi reduzido a nada, e repousa
na misericórdia de Deus, é pobre de espírito.” Moisés: “Senhor, quem sou eu, eu
não sei falar”. Isaías clamou: “Ai de mim, estou perdido…”. Pedro gritou:
“Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador”. Paulo clamou: “Miserável homem
que eu sou.”. Ser pobre de espírito é expor suas feridas ao óleo do divino
Médico. Se uma pessoa não é pobre de espírito, ela não acha sabor no pão do
céu, não sente sede da água da vida; ela vai pisar nas riquezas da graça, ela
não vai jamais desejar a redenção nem ter prazer na santificação.
c) Ser
pobre de espírito é a nossa verdadeira riqueza – A riqueza de Cristo só pode
ser apropriada pelos pobres de espírito. Há aqueles que pensam que se pudessem
encher suas contas bancárias com ouro seriam ricos. Mas aqueles que são pobres
de espírito, esses é que de fato são ricos. Quão pobres são aqueles que pensam
que são ricos: Jesus disse para a rica igreja de Laodicéia: Você é pobre e
miserável. Mas Jesus disse para a pobre igreja de Esmirna: “Conheço a tua
pobreza, mas és rica”.
3. Porque
devemos ser pobres de espírito
Ser pobre
de espírito é a jóia que o cristão deve usar. Primeiro o homem se torna pobre
de espírito, depois Deus o enche com sua graça.
a)
Enquanto você não for pobre de espírito, jamais Cristo será precioso para você
– Enquanto não enxergarmos nossa própria miséria, jamais veremos a riqueza que
temos em Cristo. Enquanto você não perceber que está perdido, jamais buscará
refúgio em Cristo. Enquanto não enxergar a feiúra do seu pecado, jamais
desejará o perdão e a graça de Cristo.
b)
Enquanto você não for pobre de espírito, você não estará pronto para receber a
graça de Deus – Aqueles que abrigam sentimentos de auto-suficiência e se sentem
saciados, jamais terão sede de Deus. Aqueles que se sentem cheios de si mesmos,
jamais poderão ser cheios de Deus. Aqueles que pensam que estão são, jamais
buscarão o Médico. Aqueles que pensam que têm méritos, jamais desejarão ser
cobertos pela justiça de Cristo.
c)
Enquanto você não for pobre de espírito, você não pode ir para o céu – O Reino
de Deus pertence aos pobres de espírito. A porta do céu é estreita e aqueles
que se consideram grandes aos seus olhos não podem entrar lá.
4. Como
podemos saber que somos pobres de espírito
a) Quando
toda a base da nossa aceitação por Deus está nos méritos de Cristo – Uma pessoa
pobre de espírito não tem nada a exigir, a merecer, a reclamar. Ela se vê
desamparada até refugiar-se em Cristo. Ela não tem descanso para a alma até
estar firmada na rocha que é Cristo. Ela não busca nenhuma outro tesouro ou
experiência além de Cristo. Ela está plenamente satisfeita com Cristo.
b) Quando
o nosso coração está desprovido de toda vaidade – Jó mesmo sendo um homem
piedoso, que se desviava do mal, que suportou provas tremendas sem negociar sua
fidelidade a Deus, disse: “Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na
cinza” (Jó 42:6). Quanto mais graça ele tem, mais humilde ele se torna, porque
mais devedor.
c) Quando
o nosso coração anseia e clama mais por Deus em oração – Um homem pobre está
sempre pedindo como Moisés. Ele sempre quer mais de Deus. Ele sempre está
batendo no portal da graça. Ele sempre está derramando suas lágrimas no altar.
5.
Motivos para sermos pobres de espírito
a) Ser
pobre de espírito é nossa riqueza – Você pode possuir as riquezas do mundo e
ser pobre. Mas você não pode ter essa pobreza de espírito sem ser rico. O pobre
de espírito é aquele que se prepara para receber toda a riqueza de Cristo.
b) Ser
pobre de espírito é nossa nobreza – Se você é pobre de espírito, Deus olha para
você como uma pessoa de honra. Aquele que é pobre aos seus próprios olhos, é
precioso aos olhos de Deus. Quanto mais você se humilha, mais Deus o exalta.
c) Ser
pobre de espírito aquieta nossa alma – Então, pode dizer como o salmista: “Eu
sou pobre e necessitado, mas Deus cuida de mim.”
III. A
VERDADEIRA FELICIDADE É UMA RECOMPENSA PARA O PRESENTE E PARA O FUTURO
1. A
posse do Reino de Deus é algo presente e não apenas futuro
Jesus
disse: “Bem aventurados os pobres de espírito, porque dos tais é o Reino dos
céus”. Ele não disse, “porque dos tais será o Reino dos céus”.
A
felicidade cristã não é para ser desfrutada apenas no céu, mas agora, a caminho
do céu. O povo de Deus deve ser o povo mais feliz da terra. “Feliz és tu, ó
Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo Senhor, escudo que te socorre, espada
que te dá alteza” (Dt 33:29).
A pobreza
de espírito está conectada com a posse de um Reino mais glorioso do que todos
os tronos da terra. Pobreza é o oposto de riqueza e ainda quão ricos são
aqueles que possuem o Reino. A pobreza de espírito é o pórtico do templo de
todas as demais bênçãos.
A palavra
Makários descreve uma alegria e uma felicidade permanente, que não sofre
variações. É uma alegria que não pode ser destruída pelas circunstâncias da
vida. Jesus disse: “A vossa alegria ninguém poderá tirar” (Jo 16:22). É a felicidade
que existe na dor, na perda, na doença, no luto. É o gozo que brilha através
das lágrimas e que nada, nem a vida nem a morte, pode tirar.
Entramos
no Reino e o reino entrou em nós (Lc 17:21). Estamos no mundo, mas não somos do
mundo. Nascemos de cima, do alto, do Espírito. Estamos em Vitória, mas estamos
em Cristo. Estamos em Vitória, mas estamos assentados nas regiões celestiais em
Cristo. Estamos passando por lutas, mas já estamos abençoados com toda sorte de
bênção em Cristo.
2. A
nossa felicidade será completa quando tomarmos posse definitiva do Reino no
futuro
a) Os
salvos não apenas vão entrar na posse do Reino, mas vão reinar com o Rei da
glória – Estaremos não apenas no céu, mas também nos tronos. Teremos uma coroa,
teremos vestes reais, receberemos um trono (Ap 3:21).
b) O
reino dos céus excede ao esplendor dos maiores reinos do mundo – 1) Porque o
fundador desse Reino é o próprio Deus. 2)Porque esse Reino será mais rico do
que todos as riquezas de todos os reinos. Tudo que é do Pai é nosso. Somos os
herdeiros de todas as coisas. 3) Porque o Reino dos céus excede aos demais em
perfeição. As glórias de Salomão serão nada. As glórias dos palácios dos
skaikes dos Emirados Árabes serão palhoças. 4) Porque o Reino dos céus excede
em segurança – Nada contaminado vai entrar lá, nenhuma maldição. 5) Porque o
Reino dos céus excede em estabilidade – Os reinos do mundo caíram e cairão, mas
o Reino de Deus permanecerá para sempre. O crente mais pobre é mais rico do que
os reis mais opulentos da terra.
CONCLUSÃO
Temos nós
andado de modo digno desse Reino? Temos vivido de modo compatível com aqueles
que vão assentar em tronos? Temos resplandecido a glória de Deus em nós?
Seu
coração está vazio de vaidade? Está sedento pelas coisas do céu? Você já abriu
mão de tudo para se derramar aos pés de Cristo?
No tempo
de Cristo quem entrou no Reino não foram os fariseus que se consideravam ricos
em méritos, nem os zelotes que sonhavam com o estabelecimento do Reino com
sangue e espada; mas os publicanos e as prostitutas, o refugo da sociedade
humana que sabiam que eram tão pobres que nada tinham para oferecer, nem
receber. Tudo o que podiam fazer era clamar pela misericórdia de Deus.
Por: Hernandes Dias Lopes
www.cristoestanaminhavida.blogspot.com
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