Oração e Jejum
O pregador deve ser
prioritariamente um homem de oração e jejum. O relacionamento do pregador com
Deus é a insígnia e a credencial do seu ministério público. Os pregadores que
prevalecem com Deus na vida pessoal de oração são os mais eficazes em seus
púlpitos.
Oração
A oração precisa ser prioridade tanto na
vida do pregador como na agenda da igreja. A profundidade de um ministério é
medida não pelo sucesso diante dos homens, mas pela intimidade com Deus. A
grandeza de uma igreja é medida não pela beleza de seu edifício ou pela pujança
de seu orçamento, mas pelo seu poder espiritual através da oração. No século
dezenove Charles Haddon Spurgeon disse que em muitas igrejas a reunião de
oração era apenas o esqueleto de uma reunião, onde as pessoas não mais compareciam.
Ele concluiu que “se uma igreja não ora, ela está morta”.
Infelizmente, muitos pregadores e igrejas
têm abandonado o alto privilégio de uma vida abundante de oração. Hoje nós
gastamos mais tempo com reuniões de planejamento do que com oração. Dependemos
mais dos recursos dos homens que dos de Deus. Confiamos mais no preparo humano,
que na capacitação divina. Consequentemente, temos visto muitos pregadores
eruditos no púlpito, mas temos ouvido uma imensidão de mensagens fracas. Muitos
pregadores têm pregado sermões eruditos, porém sem o poder do Espírito Santo.
Eles têm luz em suas mentes, contudo não têm fogo no coração. Tem erudição, mas
não têm poder. Têm fome de livros, mas não têm Deus. Eles amam o conhecimento,
mas não buscam intimidade com Deus. Pregam para a mente, e não para o coração.
Eles têm uma boa performance diante dos homens, mas não diante de Deus. Gastam
muito tempo preparando seus sermões, mas não preparando seus corações. Sua
confiança está firmada na sabedoria humana e não no poder de Deus.
Homens secos pregam sermões secos e sermões
secos não produzem vida. Como escreve E. M. Bounds, “homens mortos pregam
sermões mortos, e sermões mortos matam”. Sem oração não existe pregação
poderosa. Charles Spurgeon diz que “todas as nossas bibliotecas e estudos são
um mero vazio comparado com a nossa sala de oração. Crescemos, lutamos e
prevalecemos na oração ‘em secreto’.” Arturo Azurdia cita Edward payson,
afirmando que “é no lugar secreto de oração que a batalha é perdida ou ganha”.
A oração tem uma importância transcendente, porque ela é o mais poderoso
instrumento para promover a Palavra de Deus. É mais importante ensinar um
estudante a orar do que a pregar.
Se desejamos ver a manifestação do poder de
Deus, se desejamos ver vidas sendo transformadas, se desejamos ver um saudável
crescimento da igreja, então devemos orar regularmente, privativa, sincera e
poderosamente. O profeta Isaías diz que a nossa oração deve ser perseverante,
expectante, confiante, ininterrupta, importuna e vitoriosa (Is 62.6-7). O
inferno treme quando uma igreja se dobra diante do Senhor Todo-Poderoso para
orar. A oração move a mão onipotente de Deus. Quando a igreja ora, os céus se
movem, o inferno treme e coisas novas acontecem na terra; “quando nós trabalhamos,
nós trabalhamos; mas quando nós oramos, Deus trabalha”. A oração não é o oposto
de trabalho; ela não paralisa a atividade. Em vez disto, oração é em si mesma o
maior trabalho; ela trabalha poderosamente, deságua em atividade, estimula o
desejo e o esforço.
Oração não é um ópio, mas um tônico; não é
um calmante para o sono, mas o despertamento para uma nova ação. Um homem
preguiçoso não ora e não pode orar, porque a oração demanda energia. O apóstolo
Paulo considera oração como uma luta e uma luta agônica (Rm 15.30). Para Jacó a
oração foi uma luta com o Senhor. A mulher sirofenícia com o Senhor através da
oração até que saiu vitoriosa.
Antes de falar aos homens, o pregador
precisa viver diante de Deus. A oração é o oxigênio do ministério. “A vida de
oração do ministro e da igreja são o fundamento da pregação eficaz”.
A oração traz poder e refrigério à pregação,
tem mais poder para tocar os corações do que milagres de palavras eloqüentes.
Como pregadores, devemos ser uma voz a falar em nome de Deus, como João Batista
(Mt 3.3), que pregou não no templo, não numa catedral ilustre, não nos salões
adornados dos reis, mas no deserto e grandes multidões iam ouvi-lo, sendo
confrontadas pela sua poderosa mensagem (Mt 3.5-10; Lc 3.7-14). Não basta ser
um eco, é preciso ser uma voz. Não basta pregar, precisamos ser boca de Deus. O
profeta Elias viveu na presença de Deus (I Rs 17.1; 18.15); orou intensa,
persistente e vitoriosamente (Tg 7.17-18). Por conseqüência, experimentou a
intervenção de Deus em sua vida e em seu ministério. A viúva de Sarepta
testificou a seu respeito, “Nisto conheço agora que tu és homem de Deus e que a
palavra do Senhor na tua boca é verdade” (I Rs 17.24). Muitos ministros pregam
a Palavra de Deus, mas não são boca de Deus. Falam sobre o poder, mas não têm
poder em suas vidas. Pregam sobre vida abundante, mas não tem vida abundante.
Suas vidas contradizem a sua mensagem.
David Eby comentando sobre a importância da
oração na vida do pastor, diz que a “oração é a estrada de Deus para ensinar o
pastor a depender do poder de Deus, é a avenida de Deus para os pastores
receberem graça, ousadia, sabedoria e amor para ministrarem a Palavra”.
Muitos pregadores crêem na eficácia da
oração, mas poucos pregadores oram. Muitos ministros pregam sobre a necessidade
da oração, mas poucos ministros oram. Eles lêem muitos livros sobre oração, mas
não oram. Têm bons postulados teológicos sobre oração, mas não têm fome por
Deus. Em muitas igrejas as reuniões de oração estão agonizando. As pessoas estão
muito ocupadas para orar. Elas têm tempo para viajar, trabalhar, ler,
descansar, ver televisão, falar sobre política, esportes e teologia, mas não
gastam tempo orando. Consequentemente nós temos, às vezes, gigantes do
conhecimento no púlpito, que são pigmeus no lugar secreto de oração. Tais
pregadores conhecem muito a respeito de Deus, mas muito pouco a Deus.
Pregação sem oração não provoca impacto.
Sermão sem oração é sermão morto. Não estaremos preparados para pregar enquanto
não orarmos. Lutero tinha um moto: “Aquele que orou bem, estudou bem”. David
Larsen cita Karl Barth: “Se não há grande agonia em nossos corações, não haverá
grandes palavras em nossos lábios”.
O que precisamos fazer? Nossa primeira e
maior prioridade no ministério é voltarmo-nos para Deus em fervente oração. A
obra de Deus não é a nossa prioridade, mas sim o Deus da obra. Jerry Vines
escreve:
“O
pregador muitas vezes gasta grande parte do seu tempo lidando com as coisas de
Deus; lê sua Bíblia para preparar sermões; estuda comentários; lidera as
reuniões e os grupos de oração. Está constantemente falando a linguagem de
Sião. Mas o acumulo desta obra santa pode endurecer a consciência da
necessidade de estar a sós com Deus em sua própria vida pessoal”.
Realizar a obra de deus sem oração é
presunção. Novos métodos, planos e organizações para levar a igreja ao
crescimento saudável, sem oração, não são os métodos de Deus. “A igreja está
buscando melhores métodos; Deus está buscando melhores homens”. E. M. Bounds
corretamente comenta:
“O que a igreja precisa hoje não é de mais ou
melhores mecanismos, nem de nova organização ou mais e novos métodos. A igreja
precisa de homens a quem o Espírito possa usar, homens de oração, homens
poderosos em oração. O Espírito
Santo não flui através de métodos, mas através de homens. Ele não vem sobre
mecanismos, mas sobre homens. Ele não unge planos, mas homens. Homens de
oração!”
Quando a igreja cessa de orar, deixa de
crescer. O diabo trabalha continuamente para impedir a igreja de orar. Ele tem
muitas estratégias. O diabo usou três estratégias para neutralizar o
crescimento da igreja apostólica em Jerusalém: perseguição (Atos 4),
infiltração (Atos 5) e distração (Atos 6). Mas os apóstolos enfrentaram todos
esses ataques com oração. Eles entenderam que a oração e a Palavra de Deus
devem caminhar juntos. “A oração e o ministério da Palavra permanecerão de pé
ou cairão juntos”. Os apóstolos decidiram, “quanto a nós, nos consagraremos á
oração e ao ministério da Palavra” (At 6.4). Sobre este texto Charles Bridges
afirmou: “Oração é a metade do nosso ministério; e ela dá á outra metade todo o
seu poder e sucesso”. Oração e palavra são os maiores princípios do crescimento
da igreja no livro de Atos. Oração e pregação são os instrumentos providenciados
por Deus para conduzir sua própria igreja ao crescimento. David Eby interpreta
muito bem quando diz que, “O manual de Deus sobre o crescimento da igreja
vincula pregação e oração como aliados inseparáveis”. Entrementes, oração vem
primeiro, porque pregação sem oração não tem vida nem pode produzir vida. A
pregação poderosa requer oração. A pregação ungida e o crescimento da igreja
requerem oração.
“Pastor,
você deve orar. Orar muito. Orar intensamente e seriamente, zelosamente e
entusiasticamente, com propósito e com determinação. Orar pelo ministério da
Palavra entre o seu rebanho e em sua comunidade. Orar pela sua própria
pregação. Mobilize e recrute seu povo para orar pela sua pregação. Pregação
poderosa não acontecerá à parte da sua própria oração. Oração freqüente,
objetiva, intensa e abundante é requerida. A pregação torna-se poderosa quando
um povo fraco ora humildemente. Esta é a grande mensagem do livro de Atos. O
tipo de pregação que produz o crescimento da igreja vem pela oração. Pastor, dedique-se
à oração. Continue em
oração. Persista em oração por amor da glória de Deus no
crescimento da igreja” David Eby.
Todos os pregadores usados por Deus foram
homens de oração: Moisés, Samuel, Elias, os apóstolos e, acima de tudo, Jesus,
nosso supremo exemplo. O evangelista Lucas escreveu seu evangelho para os
gentios mostrando Jesus como o homem perfeito. Lucas, mais que qualquer outro
evangelista, registrou a intensa vida de oração de Jesus. No rio Jordão Jesus
orou e o céu se abriu. O Pai confirmou o seu ministério e o Espírito Santo
desceu sobre Ele (Lc 3.21-22). Cheio do Espírito Santo, Jesus retornou do
Jordão e foi conduzido ao deserto, onde por quarenta dias jejuou e orou,
triunfando sobre as tentações do diabo (Lc 4.1-13).
Para Jesus a oração era mais importante do
que o sucesso no ministério. Quando a multidão veio ouvi-lo pregar, foi para um
lugar tranqüilo e solitário para orar (Lc 5.15-17). “Diferentemente de alguns
pregadores de hoje, Jesus maravilhosamente entendeu que a oração deveria ocupar
um lugar prioritário em seu ministério e em sua agenda”. Jesus escolheu os seus
discípulos depois de uma noite inteira de oração (Lc 6.12-16). Foi preparado
para enfrentar a cruz através da oração (Lc 9.28-31). Jesus orou no jardim do
Getsêmani, derramando seu próprio sangue para realizar a vontade de Deus (Lc
22.39-46). Orou também sobre a cruz, abrindo a porta do céu para o penitente e
arrependido malfeitor crucificado ao seu lado direito (Lc 23.34-43). Jesus está
orando em favor do seu povo junto ao trono de Deus e irá interceder por ele até
a sua segunda vinda (Rm 8.34; Hb 7.25). A vida de Jesus é o supremo exemplo que
temos sobre oração.
O mesmo Espírito de oração que estava sobre
Jesus foi derramado sobre os discípulos na festa do Pentecoste. Então, eles
passaram a orar continuamente. James Rosscup comenta:
“A
oração foi um dos quatro princípios básicos dos cristãos (At 2.42)... Os
crentes oraram de forma regular e sistemática (At 3.1; 10.9) bem como nos
momentos de urgência. Pedro e João foram modelos de oração. Eles foram o canal
que Deus usou para a cura do homem paralítico (At 3.7-10). Mais tarde, oraram
com outros irmãos para que Deus lhes desse poder para testemunhar com ousadia
(At 4.29-31); uma oração que Deus respondeu capacitando-os a enfrentar com
galhardia seus inimigos. Eles foram revestidos de poder, tornaram-se
profundamente unidos e se dispuseram a dar suas próprias vidas pelo evangelho.
Mais tarde, os apóstolos revelaram a grande prioridade de suas vidas, quando decidiram:
‘quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da Palavra’”.
Os maiores e mais conhecidos pregadores da
história foram homens de oração. João Crisóstomo, Agostinho, Martinho Lutero,
João Calvino, João Knox, Richard baxter, Jonathan Edwards e muitos outros.
Charles Simeon, uma reavivalista inglês, devotava quatro horas por dia a Deus em oração. John Wesley
gastava duas horas por dia em oração. John
Fletcher, um clérigo e escritor inglês, marcava as paredes do
seu quarto com o hálito das suas orações. Algumas vezes, ele passava a noite
toda em oração. Lutero
dizia: “se eu fracassar em investir duas horas em oração cada manhã, o diabo
terá vitória durante o dia”. David Brainerd dizia: “Eu amo estar só em minha
cabana, onde posso gastar muito tempo em oração”.
John Wesley fala-nos em seu jornal sobre o
poder da oração comentando sobre o dia solene de oração e jejum a que o rei da
Inglaterra convocou a nação em razão da ameaça de invasão da França:
“O dia
de jejum foi um dia glorioso, tal como Londres raramente tinha visto desde a
restauração. Todas as igrejas da cidade estavam superlotadas. Havia um senso de
profunda reverência em cada rosto. Certamente Deus ouviu as orações e deu-nos
vitória e segurança contra os inimigos”.
Uma nota de rodapé foi acrescentada mais
tarde, “o quebrantamento e humildade do povo diante de Deus tranformou-se em um
regozijo nacional, visto que a ameaça da invasão pela França foi afastada”.
Charles Finney dedicou-se a vigílias
especiais de oração e jejum. Pregando depois de muita oração, viu Deus trazendo
grandes bênçãos para o seu ministério. Ele estava profundamente convencido
sobre a importância da oração.
“Sem oração você será tão fraco quanto a
própria fraqueza. Se perder o seu espírito de oração, você não poderá fazer
nada ou quase nada, embora tenha o dom intelectual de um anjo”.
Charles Spurgeon diz que ninguém está mais
preparado para pregar aos homens do que aqueles que lutam com Deus em favor dos
homens. Se não prevalecermos com os homens em nome de Deus, devemos prevalecer
com Deus em favor dos homens.
Spurgeon via as reuniões de oração das
segundas-feiras no Tabernáculo Metropolitano de Londres como o termômetro da
igreja. Por vários anos uma grande parte do principal auditório e primeira
galeria estavam completamente cheios nas reuniões de oração. Na concepção de
Spurgeon, a reunião de oração era “a mais importante reunião da semana”. Ele
atribuiu o sinal da benção de Deus sobre o seu ministério em Londres á
fidelidade do seu povo orando por ele.
Dwight L. Moody, fundador do Instituto
Bíblico Moody, normalmente via Deus agindo com grande poder quando outras
pessoas oravam pelas suas reuniões na América e além mar. A. R. Torrey pregou
em muitos países e viu grandes manifestações do poder de Deus. Ele disse: “ore
por grandes coisas, espere grandes coisas, trabalhe por grandes coisas, mas
acima de tudo ore”. A oração é a chave que abre todos os tesouros da infinita
graça e poder de Deus.
Robert Murray McCheyne, grande pregador
escocês, exortava sempre o seu povo a voltar-se para a Bíblia e para a oração.
Como resultado, mais de trinta reuniões de oração aconteciam semanalmente na
igreja de Dundee, Escócia, cinco das quais eram reuniões de oração das
crianças.
No ano de 1997, juntamente com oitenta
pastores brasileiros, visitei a Coréia do Sul, para fazer uma pesquisa sobre o
crescimento da igreja. Visitamos onze grandes igrejas em Seul – igrejas locais
entre dez mil e setecentos mil membros. Em todas essas igrejas testificamos que
a principal causa do crescimento foi a intensa vida de oração. Nenhuma igreja
evangélica pode ser organizada lá sem que antes tenha uma reunião diária de
oração de madrugada. O seminarista que faltar a duas reuniões de oração de
madrugada durante o ano, não sendo por motivo justificado, não serve para ser
pastor. Quando perguntei a um pastor presbiteriano por que eles oravam de
madrugada, ele me respondeu que em todos os lugares do mundo as pessoas
levantavam-se de madrugada para ganhar dinheiro e cuidar dos seus interesses.
Eles levantam-se de madrugada para orar porque Deus é prioridade na vida deles.
Visitamos a Igreja Presbiteriana Myong Song, a maior igreja presbiteriana de
Seul com mais de cinqüenta e cinco mil membros. Aquela igreja tem quatro
reuniões diárias de oração pela manhã. Em todas elas o templo fica repleto de
pessoas sedentas de Deus. A sensação que tivemos numa dessas reuniões foi de
que o céu havia descido à terra.
John Piper comenta sobre a igreja coreana:
“Nos
últimos anos do século vinte, jejum e oração têm quase se tornado sinônimo das
igrejas da Coréia do Sul. E há uma boa razão para isto. A primeira igreja
protestante foi plantada na Coréia em 1884. Cem anos depois havia trinta mil
igrejas na Coréia. Uma média de trezentas novas igrejas foram plantadas a cada
ano nestes cem anos. No final do século vinte, os evangélicos já representam
cerca de trinta por cento da população. Deus tem usado muitos meios para
realizar essa grande obra. Entrementes, os meios mais usados por Deus têm sido
a oração e o jejum”.
Thom Rainer fez uma pesquisa entre
quinhentas e setenta e seis igrejas batistas dos Estados Unidos e concluiu que
a oração é apontada como o fator mais importante depois da pregação para o
crescimento da igreja.
“Próximo de setenta por cento das igrejas
colocaram a oração como um dos principais fatores para o seu êxito
evangelístico. Exceto as igrejas entre 700 e 999 membros, pelo menos sessenta
por cento das igrejas de todos os tamanhos identificaram a oração como o
principal fator de crescimento da igreja”.
Jejum
As escrituras enfatizam também o jejum como
um importante exercício espiritual. Se desejarmos pregar com poder, o jejum não
pode ser esquecido em nossa vida devocional. O jejum está presente tanto no
Antigo como no Novo Testamento. Os profetas, os apóstolos, Jesus e muitos
homens de Deus como Agostinho, Lutero, Calvino, John Knox, Wesley, Charles
Finney, Moody e outros mais através da história, experimentaram bênçãos
espirituais através do jejum. Erroll Hulse citando Martyn Lloyd Jones diz que
“os santos de deus em todos os tempos e em todos os lugares não somente creram
no jejum, mas também o praticaram”.
Há um apetite por Deus em nossas almas. Deus
colocou a eternidade em nossos corações e somente Ele pode satisfazer essa
nossa necessidade. Se você não sente fortes desejos pela manifestação da glória
de Deus, não é porque você tem bebido profundamente dos mananciais da Deus e
está satisfeito. Pelo contrário, é porque você tem buscado saciar a sua alma
nos banquetes do mundo.
John Piper define jejum como fome de Deus.
De acordo com Piper, o maior inimigo da fome de Deus não é o veneno mortífero,
mas uma torta de maça. O maior adversário do amor de Deus não são seus
inimigos, mas seus dons. E os mais mortíferos apetites não são pelos venenos do
mal, mas pelos simples prazeres da terra (Lc 8.14; Mc 4.19). “Os prazeres desta
vida” e os “desejos por outras coisas” não são mal em si mesmos. Não são
vícios. São dons de Deus. Mas todos eles podem tornar-se substitutos mortíferos
do próprio deus em nossas vidas. O jejum revela o grau de domínio que o
alimento tem sobre nós. O jejum cristão é um teste para conhecermos qual é o
desejo que nos controla. Richard Foster afirma:
Mais
do que qualquer outra disciplina, o jejum revela as coisas que nos controlam. O
jejum é um maravilhoso benefício para o verdadeiro discípulo que deseja ser
transformado na imagem de Jesus Cristo. Muitas vezes encobrimos o que está
dentro de nós com comida e outras coisas.
Martyn Lloyd Jones, na mesma linha de
pensamento, ensina que o jejum não pode ser entendido apenas como uma
abstinência de alimento e bebida. Segundo ele, o jejum também deve incluir
abstinência de qualquer coisa que é legítima em si mesma por amor de algum
propósito espiritual.
O propósito de jejum não é obter o favor de
Deus ou mudar a sua vontade (Is 58.1-12). Também não é para impressionar os
outros com uma espiritualidade farisaica (Mc 6.16-18). Nem é para proclamar a
nossa própria espiritualidade diante dos homens. Jejum significa amor a Deus.
Jejuar para ser admirado pelos homens é uma errada motivação para fazê-lo.
Jejum é fome pelo próprio deus e não fome por aplausos humanos (lc 18.12). É
para nos humilharmos diante da Deus (Dn 10.1-12), para suplicarmos a Sua ajuda
(2 Cr 20.3; Es 4.16) e para retornarmo-nos para deus com todo o nosso coração
(Jl 2.12-12). É para reconhecermos a nossa total dependência da proteção divina
(Es 8.21-23). O jejum é um instrumento para fortalecer-nos com poder divino, em
face dos ataques do inferno (Mc 9.28-29).
Deus tem realizado grandes intervenções na
história através da oração e do jejum de seu povo. Quando deu a lei para o seu
povo, Moisés dedicou quarenta dias a oração e ao jejum no monte Sinai. Deus
libertou Josafá das mãos dos seus inimigos quando ele e seu povo humilharam-se
diante do Senhor em oração e jejum (2 Cr 20.3-4, 14-15, 20-21). Deus libertou o
seu povo da morte através da oração e jejum da rainha Ester e do povo judeu (Es
4.16). Deus usou Neemias para restaurar Jerusalém quando este orou e jejuou (Ne
1.4). Deus usou Paulo e Barnabé para plantar igrejas no Império Romano quando
eles devotavam-se à oração e ao jejum (At 13.1-4).
John Piper comenta que a oração e jejum
resultaram num movimento de missões que arrancou o cristianismo da obscuridade
para ser a religião dominante do Império Romano em dois séculos e meio, e hoje
calcula-se que temos cerca de um bilhão e trezentos milhões de seguidores da
religião cristão, com cristãos testemunhando em todos os paises do mundo.
Infelizmente, o jejum é um grande tesouro espiritual negligenciado pelos
cristãos contemporâneos.
Os homens têm amado os dons de Deus mais do
que o próprio deus. Eles tem mais fome dos dons de Deus do que de Deus. Jejum
não é fome das bênçãos de deus, mas é fome do próprio Deus. John Piper diz que
o jejum cristão, nasce exatamente da saudade de Deus. Ele escreve:
“Nós
glorificamos a Deus quando o preferimos acima dos seus dons... Nós nos
enganamos ao dizermos que amamos a Deus, mas se somos testados revelamos o
nosso amor apenas por palavras e não por sacrifício... Eu realmente tenho fome
de Deus? Realmente tenho saudade de deus? Ou estou satisfeito apenas com os
dons de Deus?”
Devemos comer e jejuar para glória de deus
(I Co 10.31). Quando nós comemos, saboreamos o emblema do nosso alimento
celestial, o Pão da Vida. E quando jejuamos, dizemos, “eu amo a realidade acima
do emblema”. O alimento é bom, mas Deus é melhor. “Nem só de pão viverá o
homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Jesus disse,
“tenho algo para comer que vocês não conhecem” (Jo 4.32). Em Samaria, Jesus
satisfez sua vida não com o pão da terra, mas com o pão do céu. Deus mesmo foi
o seu alimento. Isto é jejum: intimidade com Deus. A comunhão com deus deve ser
a nossa mais urgente a apetitosa refeição.
John Piper sintetiza esta gloriosa realidade
assim:
“Quanto
mais profundamente você anda com Cristo, mais faminto você se torna dEle...
mais saudade você tem do céu... mais deseja a plenitude de deus em sua vida...
mais anseia pela vinda do noivo... mais aspira que a igreja seja reavivada e
revestida com a beleza de Jesus. Mais você anseia por um profundo despertamento
da realidade de Deus em nossas cidades... mais deseja ver a
luz do evangelho da glória de cristo penetrar nas trevas dos povos ainda não
alcançados... mais deseja ver as falsas filosofias do mundo sendo vencidas pela
verdade... mais deseja ver a dor sendo vencida, as lágrimas enxugadas e a morte
destruída... mais anseia ver as coisas erradas sendo feitas corretamente e a
justiça e a graça de Deus enchendo a terra como as águas cobrem o mar”.
Nós vivemos
em uma geração cujo deus é o estômago (Fl 3.19). Muitas pessoas deleitam-se
apenas nas bênçãos de deus e não no Deus das bênçãos. O homem tem se tornado o
centro de todas as coisas. Todas as coisas são feitas e preparadas para o
prazer do homem. Mas o homem não é o centro do universo, Deus é. Todas as
coisas devem ser feitas para a glória de Deus. Deus deve ser a nossa maior
satisfação. Quem jejua tem mais fome do pão do céu do que o pão da terra. Quem
jejua tem mais saudade do Pai do que de suas bênçãos. Quem jejua confia mais no
poder que vem do céu do que nos recursos da terra. Quem jejua confia mais nos
recursos de deus do que na sabedoria humana. Verdadeiramente, se desejamos ver
poder no púlpito, se desejamos ver pregações ungidas e cheias de vigor, se
ansiamos ver o despertamento da igreja e o seu crescimento numérico,
precisamos, então, de pregadores que sejam homens santos e piedosos, homens de
oração e jejum.Por: Hernandez Dias Lopes
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