Referência: 1 CORÍNTIOS 4:1-21
INTRODUÇÃO:
• No capítulo 1, Paulo fala sobre três aspectos do chamado cristão:
fomos chamados para a santidade, para a comunhão de Cristo e para
glorificarmos a Deus.
• No capítulo 2, Paulo fala sobre três aspectos do evangelho: foi
planejado por Deus na eternidade, é centralizado na morte de Cristo e é
aplicado pelo Espírito Santo.
• No capítulo 3, Paulo apresenta três figuras da igreja: ela é uma
família, cujo alvo é a maturidade. Ela é um campo, cujo alvo é a
quantidade e ela é um templo, cujo alvo é a qualidade. Para a família a
Palavra é o alimento, para o campo é a semente e para o templo é o
material de construção.
• No capítulo 4, Paulo apresenta três figuras sobre o ministro cristão.
Ele é um mordomo que deve demonstrar fidelidade. Ele é um espetáculo
para o momento que deve revelar humildade, e ele é um Pai que deve
refletir doçura.
I. O MINISTRO É UM MORDOMO FIEL – V. 1-6
• Os coríntios estavam se concentrando em homens, prestando
fidelidade a homens e não a Deus. Assim, estavam imitando o mundo.
Paulo, então, ensina-os qual é o perfil do ministro cristão.
1. O ministro é um servo que trabalha sob as ordens do capitão – v. 1
• A palavra ministro no português não retrata o seu significado na
língua grega. Ministro é um trabalho de primeiro escalão ou um líder que
ocupa lugar de primazia na igreja. Mas a palavra que Paulo usa aqui é
huperetas que significa o remador de galés. O ministro não é o chefe de
um grupo, o dono da igreja ou capitão do navio, mas o escravo que
obedece as ordens do capitão, remando no porão mais inferior dos grandes
navios romanos. Os huperetas eram os escravos condenados à morte.
2. O ministro é um mordomo que obedece as ordens do seu senhor – v. 1
• Paulo usa a palavra oikonomos. O ministro é despenseiro, aquele que
toma conta da casa do seu senhor (José do Egito). Em relação ao dono da
casa ele era escravo. Em relação aos outros serviçais, ele era o
superintendente.
• Sua função era cuidar dos interesses do seu senhor. Ele cuidava da
alimentação da casa: “Os mistérios de Deus é o evangelho, a Palavra de
Deus”. 1) Não era sua função prover o alimento – Assim também, como
ministros, não somos chamados para prover o alimento. O alimento já foi
providenciado: é a Palavra de Deus. Não temos outro evangelho. Não temos
outra mensagem. Não temos outro alimento. Ilustração: O perigo da morte
na panela. 2) Não era sua função servir nenhum alimento que não tenha
sido provido pelo senhor – Hoje não temos mais profetas nem apóstolos.
Eles pregavam mensagens revelatórias. Nós devemos pregar mensagens
expositivas. Não recebemos mensagens novas, mas damos ao povo o conteúdo
da Palavra de Deus já revelada. O ministro não é um filósofo que cria a
sua própria filosofia como Platão e Aristóteles. 3) Sua função era
servir as mesas com integridade – O mordomo não pode: 3.1) Mudar o
alimento; 3.2) Adulterar o alimento; 3.3) Acrescentar o alimento; 3.4)
Reter o alimento.
3. A responsabilidade do ministro como mordomo é ser fiel ao seu senhor – v. 2
• A função do mordomo não era agradar às demais pessoas da casa nem muito menos aos outros servos, mas ao seu Senhor.
• O papel do mordomo não é ser popular nem bem sucedido, mas fiel. O
critério de Deus não é nem o sucesso nem a popularidade, mas a
fidelidade. 1) Fiel ao seu senhor; 2) Fiel à sua missão: alimentar a
família; 3) Fiel ao povo ao qual ministra, não lhes sonegando o
evangelho.
4. Há três tipos de julgamento na vida do ministro como mordomo – v. 3-6
4.1. O julgamento dos homens – v. 3a – O julgamento dos homens não é o
mais importante. Não estamos servindo a homens, mas a Cristo.
4.2. O julgamento da consciência – v. 3b-4 – Os filósofos gregos e
romanos (Platão e Sêneca) consideravam a consciência como o juiz máximo
do homem. Para Paulo, apenas Deus pode sê-lo. Nossa consciência não é
totalmente confiável. Podemos ser justificados por ela e condenados por
Deus. Algumas vezes, nós não nos conhecemos a nós mesmos.
4.3. O julgamento de Deus = v. 4b – O juízo de Deus é final, porque só
Deus conhece: 1) Todas as circunstâncias; 2) Todas as motivações.
5. Há três tipos de repreensões à igreja em relação aos ministros – v. 5-6
5.1. Julgar os servos de Deus no tempo errado – v. 5 – Somente na
segunda vinda de Cristo o julgamento será final e completo, porque só
ele conhece o coração e a motivação das pessoas. Ele julga não pela
aparência, porque ele vê o coração (1 Samuel 16:7).
5.2. Julgar os servos de Deus pelo critério errado – v. 6 – Os coríntios
estavam julgamento Paulo, Apolo, Pedro por suas preferências e
preconceitos. A única base de avaliação é a Palavra de Deus e não nossas
opiniões. Não superestime os ministros além da medida das Escrituras.
5.3. Julgar os servos de Deus com a motivação errada – v. 6b – Cada
grupo na igreja de Corinto, estava jogando a baixo os outros pregadores
para levantar o seu. Estava existindo um espírito de competição e
disputa. Paulo exorta a igreja que não abasta apenas uma pregação fiel,
mas também uma prática fiel.
II. O MINISTRO É UM ESPETÁCULO AO MUNDO – HUMILDADE- V. 7-13
• Paulo usa uma imagem muito familiar para o povo do império romano. O
governo entretinha o povo, apresentando espetáculos nos anfiteatros nas
várias cidades do império. A palavra espetáculo deu origem à nossa
palavra teatro (teatron). O coliseu romano tornou-se o centro desses
espetáculos, onde os cristãos eram colocados para lutar com feras e
serem expostos à morte. Esta é a figura que Paulo evoca para os
apóstolos de Cristo. Os ministros não estão no pódio para os aplausos
dos homens, mas na arena do teatro, para ser entregue à morte.
• Paulo usa alguns contrastes:
1. Reis e prisioneiros – v. 7-9
• Os coríntios pensavam que eles eram uma igreja de muito sucesso, muito
madura e eficiente. Eles estavam satisfeitos com a sua espiritualidade.
Estavam achando que tinha tudo. Estavam cheios de vanglória – v. 7. Por
isso a ironia de Paulo no verso 8: “Já estais fartos, já estais ricos,
chegastes a reinar…”. Eles estavam como a igreja de Laodicéia. Eles
tinham um alto conceito de si mesmos. Ilustração: Um jovem pregador
disse para o seu colega: Por favor, ore por mim para que eu seja sempre
humilde. O colega respondeu: Diga-me o que é que você tem que pode lhe
fazer orgulhoso?
• A teologia da glória é precedida pela teologia da cruz. Nosso lema
deve ser o de João Batista: Convém que Cristo cresça e que eu diminua.
• Aos olhos de Deus os apóstolos são primeiro (1 Coríntios 12:28), mas aos olhos do mundo eles são os últimos.
• Somos espetáculo ao mundo (seres racionais). Nossa vida está sendo
observada por homens e anjos. Mas somos jogados nas arenas para
enfrentar a própria morte, como escravos condenados. Esse é o contexto
com que Paulo fala.
• Há três princípios na metáfora Reis-escravos condenados: 1) Se estamos
sendo abençoados, outros estão sendo esbofeteados; 2) Se estamos sendo
esbofeteados, isso vai abençoar outras pessoas; 3) Todos os cristãos são
ao mesmo tempo reis e prisioneiros sentenciados à morte. Somos ricos em
Cristo e desprezados pelo mundo. Jamais alcançaremos a bem-aventurança
plena aqui. Ainda somos humanos. Ainda estamos no mundo. Ainda somos
mortais. Ainda estamos expostos ao pecado, ao mundo e ao diabo. Existe
vitória, poder, cura, orientação, salvação – mas ainda não chegamos à
perfeição. Vivemos em dois mundos. Ainda há tensão e contrastes.
2. Sábios e loucos – v. 10a
• Paulo era louco de acordo com o critério dos homens. Ele abandonou seu
status, sua posição, suas vantagens (Filipenses 3:4-16). Mas na verdade
os coríntios que se consideravam sábios aos seus próprios olhos, eram
tolos aos olhos de Deus.
• O caminho para se tornar espiritualmente sábio é tornar-se tolo aos
olhos do mundo (3:18). O mártir do Cristianismo Jim Elliot disse: “Não é
tolo aquele que dá o que não pode reter para ganhar o que não poder
perder.”
3. Fortes e fracos – v. 10b
• Houve um momento em que Paulo confiou na sua força (Filipenses 3), mas
depois que Cristo o salvou, ele passou a gloriar-se apenas em sua
fraqueza (2 Coríntios 12:7-10).
• Os coríntios estavam cheios de orgulho por causa da sua
espiritualidade, mas isso era consumada fraqueza aos olhos de Deus. Não
há poder onde Deus não recebe a glória. “O meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza.”
4. Honrados e desprezados – v. 10c-13
• Os crentes de Corinto queriam glória que vinha dos homens. Eles se
achavam importantes por estarem associados a homens famosos. Mas Paulo
lhes diz que os apóstolos não nobres, mas desprezados.
• Eles sofrem privações – v. 11
• Eles sofrem maus tratos – v. 11b,12b,13
• Eles sofrem o pior dos preconceitos – v. 13
• Assim foi tratado Jesus e assim foram tratados os apóstolos. Eles
estavam prontos a trabalhar e prontos a sofrer. O grande estandarte
deles era ser fiel e não popular.
III. O MINISTRO É UM PAI – TERNURA – V. 14-21
• Paulo já tinha comparado a igreja local a uma família (3:1-4), mas agora sua ênfase é sobre o ministro como um pai espiritual.
• A severidade de Paulo dá lugar à ternura. Ele agora se dirige à igreja
como um pai aos seus filhos. Ele ensina que o ministro na qualidade de
pai faz algumas coisas:
1. O pai é aquele que gera os crentes pelo evangelho – v. 14-15
• Os crentes de Corinto tinham muitos preceptores paidagogos (escravos
encarregados de levar as crianças à escola, aos mestres), mas somente
ele, (Paulo), os tinha gerado em Cristo. Paulo os levou a Cristo,
ganhou-os para Jesus. Somente conhecem o amor de pai e mãe aqueles que
já têm essa experiência. Paulo não lida com os crentes de forma
profissional, mas como um pai que os gerou.
• O pai tem um especial relacionamento com os filhos.
2. O pai é aquele que é um exemplo para a família – v. 16-17
• A palavra “imitadores” é mimetai. Os filhos aprendem primeiro pelo
exemplo, depois pela explanação. O exemplo não é apenas uma forma de
ensinar, mas a única forma eficaz.
• Paulo era um bom exemplo (11:1), porque ele seguidor do supremo exemplo, Jesus Cristo.
3. O pai é aquele que é fiel em disciplinar a família – v. 18-21
• A tolerância de Paulo tinha limites. Agora, ele está pronto a
disciplinar os crentes de Corinto. Paulo não era semelhante àquele pai
indulgente que diz para o filho: “esta é a última vez que eu falo com
você pela última vez”. O pai não apenas dá exemplo e ensina, mas também
disciplina os filhos quando eles se tornam rebeldes. Ilustração: Á
águia.
• Paulo contrasta (4:19-20) discurso e poder, palavras e obras. Os
crentes de Corinto não tinham problema com discursos pomposos, mas não
tinham poder. Falavam, mas não viviam. Havia um abismo entre o que
falavam e o que praticavam.
4. O pai é aquele que dá afeto e carinho – v. 14,21
• Paulo era um pai capaz de sofrer as dores de parto, capaz de exortar
dia e noite com lágrimas, como ama que acaricia os filhos, como pai que
prefere ir aos filhos com ternura em vez de ir com a vara.
CONCLUSÃO:
Como ministros somos mordomos e Deus espera de nós fidelidade. Como
ministros somos espetáculo ao mundo e precisamos ser humildes. Mas
também como ministros somos pais e devemos ter profundo amor pela igreja
de Deus.
Rev. Hernandes Dias Lopes.
www.cristoestanaminhavida.blogspot.com
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