Referência: DANIEL 1:1-21
INTRODUÇÃO
1. Não era fácil ser jovem nos dias de Daniel. A nação inteira estava
vivendo em fragrante desobediência a Deus. Os tempos de fervor
espiritual haviam se acabado com a reforma religiosa do rei Josias.
Deus, então, através de Jeremias e Habacuque alerta o povo que um tempo
de calamidade aconteceria. A poderosa Babilônia invadiria Jerusalém e
levaria o povo para o cativeiro.
2. Em 606 Nabucodonosor cercou Jerusalém e saqueou o templo e levou
todos os seus tesouros para a Babilônia. Levou também as pessoas ricas,
jovens e bem-dotadas, deixando os demais para trás. Estabeleceu
Zedequias no governo, mas este rebelou-se contra a Babilônia. Então,
Nabucodonosor cercou a cidade por mais de dois anos até que a fome
vencesse o povo dentro de suas muralhas. Depois invadiu a cidade,
incendiou o templo, quebrou os muros, forçou as jovens, matou os jovens e
levou o povo para o cativeiro.
3. A Babilônia era o maior império do mundo. Era a senhora do universo.
As muralhas da cidade da Babilônia era inexpugnáveis com 30 metros de
altura e dava para três carros aparelhados com mais de 1.200 torres. Ali
havia uma das sete maravilhas do mundo antigo: os jardins suspensos da
Babilônia.
4. Nesse contexto de apostasia, mundanismo, infidelidade a Deus,
desobediência, guerra e ameaça de uma invasão internacional é que Daniel
cresce. É nesse tempo dramático que ele vive sua infância e
adolescência. Seria ele produto do meio? Seria ele um a mais na massa
que se enveredava para as sombras do pecado? Como ser um jovem fiel a
Deus num tempo assim?
I. DANIEL, UM JOVEM FIEL A DEUS A PESAR DE UM PASSADO DE DOR
1. No meio de uma geração que se corrompia, Daniel possuía valores absolutos
• Daniel foi criado num contexto de piedade. Era ainda adolescente, mas
conhecia a Deus. Era ainda jovem, mas sabia o que era certo e errado.
Estava no alvorecer da sua vida, mas não se mistura com aqueles que se
entregam ao relativismo moral. É um jovem que tem coragem de ser
diferente.
• Daniel estava vendo uma geração que estava colhendo o que seus pais
haviam semeado – v. 2 – Jerusalém fica intacta nesta primeira invasão,
mas o templo é saqueado. Isto não foi por acidente. Por muito tempo os
judeus haviam confiado no templo e não no Senhor (Jr 7:7). Acham que
enquanto tivessem o templo estariam a salvo. Mas o templo não os salvou.
Uma religião sem vida não nos salvará. Confiar no templo não era um
substituto para o arrependimento. Deus reina, quer seu templo exista,
quer não. A invasão da Babilônia, o saque do templo, os tesouros
transportados e os cativos a chorar, tudo isso foi obra de Deus. O povo
estava sendo derrotado, mas Deus era vitorioso.
2. No meio de tragédias terríveis, Daniel não deixa o seu coração se azedar
a) Daniel perdeu a sua nacionalidade – Ele foi arrancado da sua Pátria. Ele perdeu sua bandeira. Ele foi tirado do seu lar.
b) Daniel perdeu a sua família – Ele foi arrancado dos braços de seus
pais, da sua família, dos seus amigos, dos seus vizinhos. Ele foi
agredido, violentado em seus direitos.
c) Daniel perdeu a sua liberdade – Ele sai de casa não como estudante,
mas como escravo. Ele não é dono da sua vida. Ele está debaixo de um
jugo. A sua cidade foi cercada. A fome desesperadora tomou conta do seu
povo. As mães comiam os seus próprios filhos. As jovens foram forçadas.
Os jovens passados ao fio da espada. Outros levados cativos.
d) Daniel perdeu a sua religião – Seu país foi invadido. Sua cidade foi
arrasada. Seu templo foi derrubado. Seu povo estava debaixo de opróbrio.
Estava agora longe de casa, em um país estranho, com uma língua
estranha, sem a Palavra de Deus nas mãos, sem o templo, sem sacerdotes,
sem culto.
e) Daniel a despeito das perdas, não é um jovem influenciado, mas um
influenciador – As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à
depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Salmo 137).
Daniel escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em
terra estranha. “Não é o que as pessoas nos fazem que importa, mas como
reagimos a isso”.
3. No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompe
• Daniel é levado para a Babilônia eivada de idolatria. É levado para
esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e
feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra sem o conhecimento
de Deus, onde não havia a Palavra de Deus nem o temor de Deus, onde o
pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem
fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e
puro diante de Deus.
II. DANIEL, UM JOVEM FIEL A DEUS APESAR DE UM PRESENTE DE OPORTUNIDADES E GRANDES RISCOS
1. Escolhido para estudar na Universidade da Babilônia
• Nabucodonosor era um estadista e um estrategista. Ao mesmo tempo que
seus exércitos eram devastadores, queimando casas, cidades, demolindo
palácios e templos. Ao mesmo tempo que assassinavam, saqueavam e
carregavam manadas para a Babilônia; também cria uma Universidade para
formar jovens cativos que pudessem amar a Babilônia e se tornarem
divulgadores da sua cultura. O método de Nabucodonosor era deportar a
nobreza de cada nação conquistada e integrá-la no serviço público de
Babilônia. Eles mesmos governariam sobre os demais súditos conquistados.
Assim, aqueles que se rebelassem teriam de fazê-lo contra seu próprio
povo, talvez contra seus próprios filhos.
• O vestibular era composto de três exames: 1) Qualidades Sociais –
linhagem real e dos nobres; 2) Qualidades Físicas e Morais – jovens sem
nenhum defeito e de boa aparência; 3) Qualidades Intelectuais –
instruídos em toda sabedoria, doutos em ciência, versados no
conhecimento e competentes para assistirem no palácio. Os aprovados
deveriam andar pelos corredores do poder.
2. Promessa de emprego garantido e sucesso profissional
• O v. 5 nos informa que o curso da Universidade de Babilônia era de
período intensivo e demorava apenas três anos e depois disso eles iriam
assistir no Palácio. Era emprego no primeiro escalão do governo mais
poderoso do mundo. Era uma chance de ouro. Era tudo que um jovem queria
na vida. Era tudo que um pai ou pai podia sonhar para os seus filhos.
Mas, cuidado: o que adianta você ganhar o mundo inteiro e perder a sua
alma? O que adianta você ficar rico, vendendo a sua alma ao diabo (O
filme O Advogado do diabo). O que adianta você ter sucesso, mas perder a
sua fé? O que adianta você ser famoso, mas não ter uma vida limpa?
3. Cuidado, a amizade do mundo é inimizade contra Deus – O perigo da aculturação
a) Cuidado com as iguarias do mundo! – Os jovens além de terem a melhor
Universidade do mundo de graça, ainda teriam comida de graça, e da
melhor qualidade. Eles só teriam que pensar em seus estudos. Deveriam
até mesmo esquecer que eram judeus, a fim de tornarem-se babilônios.
Deveriam esquecer que eram servos de Deus, e tornarem-se servos de um
rei terrestre. Mas as iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas
aos ídolos. Cada refeição, no palácio real de Babilônia, se iniciava com
um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se
participante de um culto pagão. Todas as maças do diabo são bonitas, mas
elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no
maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o
mundo o amor do Pai não está nele. Não entre na forma do mundo. Fuja dos
banquetes que o mundo lhe oferece! Fuja das festas do mundo! Fuja das
boates, das noitadas, dos lugares que podem ser uma laço para a sua
vida. Muitos diriam hoje: “Daniel, você está sendo muito radical, muito
puritano, muito intransigente. Por que criar um caso com uma coisa tão
pequena como comer alimento oferecido aos ídolos? Por que não colocar
esses escrúpulos de lado? Pense na influência que você pode exercer,
encontrando-se no serviço público da Babilônia. Você vai salgar aquele
ambiente. Você vai ser uma luz lá no palácio. Deixe de lado esse
radicalismo seu. Mas Daniel prefere a prisão ou a morte do que a
infidelidade. Daniel disse: “Prefiro a morte do que pecar, ainda que um
pouco.”
b) Cuidado com a mudança dos valores! – Seus nomes foram trocados. Isso
significa, vamos esquecer o passado. Entre os hebreus o nome era
resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus
tinham nomes ligados a Deus. Seus nomes foram trocados e vinculados às
divindades pagãs de Bel, Marduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam
varrer o nome de Deus do coração de Daniel. A universidade da Babilônia
queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel. Queria plantar nele
novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus
nomes.
c) Cuidado com as ofertas vantajosas! – Muitos judeus se dispuseram a
aceitar as ofertas generosas da Babilônia. Pensaram: É melhor esquecer
Sião. É melhor esquecer os absolutos da Palavra de Deus. Isso não tem
nada a ver. A Bíblia já não serve mais para nós. Agora estamos num
estágio mais avançado: estamos estudando as ciências. Além do mais a
Babilônia oferecia riquezas, prazeres e Jerusalém era muito repressora. A
lei de Deus, pensavam, é muito rígida, tem muitos preceitos. E assim,
muitos se libertaram de seus escrúpulos e esqueceram de Deus, da sua
Palavra. Para eles, tudo havia se tornado relativo. Os tempos estavam
mudando depressa e eles precisam se adaptar às mudanças.
d) Cuidado com o que está por trás das vantagens do mundo! – Daniel e
seus companheiros era jovens comprometidos com a verdade. Os caldeus
mudaram seus nomes, mas não seus corações. Eles compreenderam que a
babilonização era uma porta aberta para a apostasia. Sentiram que o
paternalismo da Babilônia era pior do que a espada da Babilônia. A
guerra das idéias, a lavagem cerebral, a relativação da moral, a
filosofia do que “nada tem nada a ver” é procedente do maligno. Daniel
não negociou seus valores. Ele não se corrompeu. Não se mundanizou. Ele
teve coragem para ser diferente mesmo quando foi pressionado a se
contaminar, mesmo quando não era vigiado e mesmo quando estava correndo
risco de vida.
4. A determinação de não se contaminar
• Daniel estava no mundo, mas não era do mundo. Deus não livrou Daniel
do perigo, mas lhe deu livramento no perigo. Ele não satanizou a
cultura, dizendo que tudo era do diabo, mas ele percorreu os corredores
da Universidade e do Palácio sem se corromper. Mesmo cercado por uma
babel de outras vozes, sempre se orientou pela voz de Deus. Resistiu
sempre aos interesses da Babilônia, quando esses se chocavam com os
interesses do Reino de Deus.
a) Daniel foi corajoso em sua decisão – Ele podia perder a vida, o
emprego, a oportunidade da sua vida. Ele podia pensar: Vou fazer só essa
concessão. Deus sabe que meu coração é dele. Vou ceder só nesse ponto.
Mas não, Daniel era um homem de absolutos. Ele não transigia com o
pecado. Seu grande projeto de vida era honrar a Deus.
b) Daniel foi sábio em sua decisão – Daniel teve tato para lidar com
as dificuldades. O verso 8 nos informa que ele resolveu e pediu. Ele foi
firme e gentil. Ele foi firme e perseverante. Ele não disse: “Eu não
como carne.” Mas é ordem do Rei, “azar do rei”. Se tivesse feito isso,
certamente seria um jovem morto e se morresse não era por fidelidade,
mas por burrice. Daniel era sábio, discreto, gentil e sensível. Mas
também era firme.
c) Daniel foi coerente durante todas as suas decisões
• Porque disseram NÃO nas provas mais simples, puderam dizer NÃO nas
provas mais difíceis. Seus amigos depois enfrentaram a fornalha e ele a
cova dos leões. Não transija. Não venda sua consciência.
• Nosso mundo está mudando todo dia: as pessoas dizem para você: que
nada! Os tempos mudaram: sexo antes do namoro não tem problema. Dançar
nas boates não tem problema. Ficar com um rapaz ou moça hoje e com outro
ou outra amanhã não tem problema. Visitar os sites pornográficos na
Internet não tem problema. Jesus disse: “Se o teu olho te faz tropeçar
arranca-o…”
• Daniel era radical na sua posição. Não estava aberto a mudanças.
Fidelidade a Deus era inegociável para ele. Mas hoje muitos jovens estão
se contaminando. Namoros, roupas, jovens de brinco, piercings,
tatuagens. Exemplo: O jovem ferido que blasfemava e tinha uma tatuagem
de Cristo no peito. Seu Cristo estava apenas do lado de fora.
III. DANIEL, UM JOVEM FIEL APESAR DE UM FUTURO DE GLÓRIA
1. Ele ganhou a confiança do chefe dos eunucos
• Apenas ficou com medo e tentou demovê-lo, mas Daniel argumentou.
Confiou em Deus e Deus o honrou e ele e seus amigos tornaram-se mais
robustos que os outros estudantes. Jovem crente precisa se destacar. Ele
é cabeça e não cauda. Servir a Deus nos põe na frente!
2. Ele foi aprovado com grande honra
• Finalmente o curso de três anos terminou. Era hora dos exames finais.
Como nas Universidades Britânicas em dias passados, estes exames não
eram escritos, mas orais. O próprio rei os examinou. E Daniel e seus
amigos foram examinados, aprovados e considerados dez vezes mais sábios
que os outros estudantes. Como resultado, cada um dos quatro foi
colocado em um alto cargo. Porque foram fiéis a Deus, o Senhor os honrou
e os fez dez vezes mais cultos e mais eminentes que os mais sábios.
Eles estavam no palácio do rei da Babilônia, servindo ao Rei Eterno, o
Deus Todo Poderoso.
3. Ele passou a servir diante do rei
• Daniel tornou-se primeiro ministro da Babilônia. Figurou entre os
maiores do grande império. Tornou-se homem de projeção. Foi uma bênção
durante toda a sua vida. Muitos crentes anseiam por posições mais altas,
mas para isso negociam valores, vendem suas consciências, se corrompem e
envergonham o nome de Deus. Se não vivermos agora honrando a Deus nas
pequenas coisas, jamais o honraremos quando chegarmos em altas posições.
4. Ele foi maior do que a própria Babilônia
• A Babilônia caiu, mas Daniel continuou de pé. A Babilônia perdeu o seu
poder, mas Daniel continuou sendo uma bênção para outro império. O v.
21 mostra o triunfo de Daniel. Ele continuou fiel até o primeiro ano de
Ciro. Ele atravessou 70 anos de cativeiro com uma vida limpa diante de
Deus. Ele começou bem e terminou bem.
• Hoje muitos começam bem e terminam mal. São crentes consagrados até
enfrentarem a primeira prova, mas depois negociam seus valores, vendem
suas consciências e se perdem no cipoal de suas paixões e deixam sua
devoção a Jesus, deixam a igreja e se contaminam com o mundo.
• Babilônia passou e um novo império surgiu, mas Deus continuou servindo
a Deus na Babilônia. Reis subiram ao trono e desceram do trono, mas
Daniel continuou como um homem incontaminado.
CONCLUSÃO
• Daniel foi um jovem fiel e incotaminado apesar da sua aparência,
das suas oportunidades, dos seus dotes, dos seus riscos e da sua glória.
• Você é um jovem fiel a Deus na adversidade e na prosperidade?
• Você tem se guardado incontaminado do mundo? Você é influenciador?
Você faz diferença no meio em que você vive? As pessoas são atraídas a
conhecer a Deus através do seu testemunho?
Rev. Hernandes Dias Lopes.
www.crsitoestanaminhavida.blogspot.com
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